Pat na Amazônia

29.6.05


Garantido bicampeão

No domingo, última noite de apresentação no bumbódromo, o Caprichoso rendeu homenagem a Chico Mendes, a Dorothy e a Galdino Pataxó. Trouxe a cúpula do Teatro Amazonas com nove músicos da orquestra de Manaus - me emocionei muito com o diálogo entre erudito e popular ali na arena.
Júnior Paulaim, estreante na apresentação do Caprichoso, ganhou por um décimo de seu irmão mais velho Israel. "Você foi melhor, mas meu boi ganhou", disse o primogênito.
Sim, o Garantido levou a taça mais uma vez. O pulsar cênico de alegorias e coreografias, sempre coeso, encheu os olhos no espetáculo. São os mesmos os recursos destinados aos dois bois: 3,5 milhões de reais. A moral da história a gente sabe: melhor gestão significa melhores resultados.


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25.6.05


Balões de São João

Um de verdade, voando por sobre a arena do Bumbódromo, trouxe mais uma surpresa do Garantido. O Caprichoso veio com aquele balão colorido dos folguedos, em tamanho gigante, amarrado em fileiras de bandeirinhas azuis, brancas e amarelas. "Este é o verdadeiro balão de São João", apregoava Júnior Paulaim, irmão do apresentador do boi contrário. Ora, espetáculos não se fazem de verdades assemelhadas, e sim de recriações que cativem os sentidos.
Neste ano, mais uma vez, impressiona a capacidade de imprimir ritmos ao espaço circular da arena desenvolvida pelo Garantido. O Caprichoso deixou a desejar no início da apresentação com as "figuras regionais" sem fantasias no arraial de São João montado na arena. Um jornalista chamou a atenção para o semblante consternado do governador Eduardo Braga em seu camarote. Talvez pensasse, cem mil reais liberados tão de pronto nas contas dos artistas pra isso? Eu pensei... A noite de 24 de junho terminou em anticlímax caprichoso, com um ritual arrastado que trouxe a cunhã-poranga Isabel Souza nos últimos minutos das 2h30 de apresentação. A homepage do provedor Jurupari, de onde escrevo, conta justamente o contrário. Quem escreveu sem dúvida é azul e branco.


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7.6.05


Este ano o Festival de Parintins foi antecipado para 24 a 26 de junho. Depois de quase um século celebrando o São Pedro com o bumbá, o Governo do Estado ganhou a parada e o festival passou para o último fim de semana de junho, portanto, terá datas móveis, como o carnaval.
O tempo profano, cronológico, da produção seriada no mundo pós-industrial, venceu o tempo sempiterno e sagrado da farra alforria também na Amazônia? Não, temos São João aí, gente! E eu crente que ia chegar com folga em Parintins, no dia 23, e será justo a véspera do bumbá!!! Soube hoje que para pegar a credencial, tenho que chegar no 22, terei que correr muito para isto ser possível. É reservar já o barco!

Inexoravelmente, a ética protestante do trabalho interfere na estética e na dialética da festa que move 40% do PIB parintinense em apenas três dias. Fazer o quê? Eis o pogreço da humanidade. PatCachoeiraMulungu tem que acordar pra isso, ora bolas. Vamos correr em frente que atrás vem gente, trem, avião, regatão, recreio, iate e tudo o mais.


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2.6.05


Star Watch

Bem às minhas costas uma constelação em forma de cruz, nesta noite clara de nuvens muito esparsas - "céu pedrento, ou vem chuva ou vem vento", dizia o avô da Alzira, minha primeira grande professora de Ciências.
Acontece que estas nuvens esparsas estão bem no rumo su-sueste (???), o da margens plácidas ou plásticas, a da modesta e pura nascente do Ipiranga, lá no Jardim Botânico. Que bálsamo e saudade ir lá, ver as estufas só de longe. Passear pelo jardim dos sentidos antigos, tato/olfato, que caricia tanto cegos quanto deficientes visuais, e imagino que também pessoas de razão e sensibilidade se agradem dele, ainda que de outra forma.
Meus óculos estão trocados, aumentou o astigmatismo e diminuiu a miopia no olho esquerdo. Será por isso o calo occipital? ou apenas tensão de quem passa horas lendo, estudando, de pescoço torto? E ainda fala ao telefone fazendo outras coisas (e sem o aparelhinho das moças do telemarketing).
Sei não. Só sei que a noite tá tão linda que as estrelas vêm brincar com o apito do guarda noturno. Às minhas costas o lago de Burle-Marx a quem direi adeus, brevemente. Norte à frente. E depois leste, sul, oeste... para onde mandar Aquele che muove il sole i altre stelle (Dante). Estou no Paraíso mas é Vila Mariana, vou pra um Paraíso que pode ser Inferno dependendo do referencial - amantes do silêncio puro e da erudição plena quiçá se encomodem (!) com a barulhada marujada batucada de sons acordes ritmos concordes discordes, espetáculo Caprichoso e mui Garantido.
Vou-me embora pra Pasárgada? Nada disso. Nem quero ser amiga do rei, muito menos ter quem queira na cama que já escolhi. De madeira manejada em Rondônia, desenhada pelo gaúcho-paulistano Fernando Jaeger e adquirida a um preço menor que as abusivas camas de imbuia ilegal que se vendem nas outrora populares ora "modernas e estilosas" lojas do comércio paulistano. Sampaulistas, pernambucanos, cariocas e baianos, mineiros e gaúchos, potiguares e goianos, brasileiros do mundo: acordai pra vida e durmam todos bem. Eu também. Já tomei um gole de Patricia, da mais pura água mineral maltada no Uruguay. Evoé, Sul. A bênção, Norte. Boa noite, Oeste. Bom dia, Leste. O último avião vai pousar já-já em Congonhas do Ex-Campo aterrado junto aos Bandeirantes.


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