Pat na Amazônia

26.4.05


Serviço de utilidade pública

O trânsito na Tutóia anda caótico, e assim permanecerá pelos próximos dias, e a festa dos fón-fóns não tem hora pra acabar. Buzinas apitam, carros freiam e aceleram, motos tentam costurar por entre as frestas minúsculas dos automotivos acumulados. Tudo porque aquele buraco na esquina com a Manoel da Nóbrega está desde o feriado em conserto. Esse buraco é um furúnculo intermitente, doença crônica na malha viária da borda sudoeste do distrito Vila Mariana, esta fronteira que uns chamam de Ibirapuera, outros de Jardim Paulista - mas é não, isso só pra lá da Brigadeiro... E agora o mercado imobiliário se compraz em chamar Paraíso - Baixo Paraíso, gosto de dizer - e vender torres a um milhão de reais. Tudo vendido pra lavar dindim, ou especular, ninguém habitando. Quem quer pagar dois mil reals de condomínio? Dois ou três fulanos em vinte andares. Enquanto isso seis milhões sem teto.

E o buraco crônico na conversão de Tutóia à esquerda com Manuel? Bom, já veio Comgás, outra vez foi CET, e agora o caminhão tem a placa Regional Vila Mariana, que no tempo da Marta e acho que ainda agora deve se chamar oficialmente Subprefeitura. Cada vez consertam e tempos depois o buraco volta a dar problema. Não há um só remédio que resolva esse dodói? Será Bartira a chorar sob a terra que o padre Nóbrega tentou botar em catequese e deixou pra Anchieta? Será Tibiriçá mandando seu alô alô pros filhos mestiços da terra: deixem seus carros em casa, manos, deixem seus carros em casa, cunhãs, deixem seus carros em casa, velhos...


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21.4.05


Portabilidade na vida

Alguém sabe dizer o que isso significa? Portabilidade é "conceito da moda" aos vendedores de celulares, palmtops e outros equipamentos TI de uso pessoal, leves e portáteis. Portabilidade na vida, o que seria? Carregá-la ao lado tal um celular, que quando se descarrega basta reenfiar na tomada por duas horas? Ou antes pelo contrário, deixarmo-nos levar pelo Fluxo Incessante da Vida, sintonizados não com as chamadas por responder no aparelhinho e sim com a Gaia ou a Terra-Mãe? Céu-Pai, floresta irmã etc.etc???

Algo me diz que é mais a segunda do que a primeira opção. Neste caso, trata-se de aprendizagem a ser ensaiada por nosotros neste início de terceiro milênio, caso queiramos que próximas gerações possam aperfeiçoá-la. Aperfeiçoar a Si Mesmo com respeito ao Outro, com respeito à Vida, com respeito ao Deus que habita cada um de nós que desejamos Paz, Paz, Paz. Namasté independente da Condoleeza, do Bush, do neonazismo ascendente, do Ratzinger usw. Justamente: Paz em nome do nosso vizinho que passa fome, ou que é assassinado aos 17 anos na favela em troca de um punhado de reais, ou daqueles que morrem sofrendo por falta de pronto atendimento. E Paz em nome daqueles seres distantes de nós que morrem em guerras estúpidas. Make War, not Love. Esses caras tão mesmo dodjos... Bem que o Mattew Shirts escreveu, uns cinco anos atrás no Estadão: se os Estados Unidos fossem pra terapia, pagavam a conta numa boa, mas não teriam alta jamais. O Brasil teria alta rapidinho, o problema seria pagar a conta.

Cada um com seu cada qual problema, né mermo?

Anyway. Ficaqui um desejo em forma de oração: Que a Paz reine no meio de nosotros - um dia. E que nesse dia, hajam Homo sapiens sapiensdemens-ludensfaber vivos para seguir em tamanhaventura.


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15.4.05


Em Parintins, nadinha de parintintins...

Licença Chico Buarque, a quem prosodeio pra inserir mais um capítulo da série "Na ilha do boi de pano", reportagensaio de minha tese...

Por todos os séculos e séculos Parintins recitou uma profusão de histórias. Onde os documentos alcançam, o próprio nome da cidade resulta de uma “homenagem aos parintintins, índios mais antigos que habitavam a região”, segundo registro de 30 de outubro de 1880. Antes se chamava Vila Bela de Imperatriz e Vila Nova da Rainha.

A homenagem de Parintins aos parintintins pode ser considerada deferência ao visitante, a mesma que se reserva aos turistas de hoje. Pois a ilha foi habitada por mundurucus, maués, sapupés... os parintintins apenas estiveram temporariamente na Serra de Parintins (BRAGA, 2002:309). Será que nessas rápidas passagens eles deixaram traços para a dança do bumbá? Curt Nimuendaju contou que a dança dos parintintins consistia em oito passos rápidos para um lado, meia-volta, oito passos em sentido contrário, meia-volta... batendo sempre o pé direito com força. Essa dança era acompanhada por estrofes improvisadas, tal o bailado corrido de dois pra lá dois pra cá se soma aos versos do amo do boi.

O nome da segunda maior ilha do rio Amazonas, Tupinambarana (na língua geral, "falso tupinambá"), faz menção a uma etnia indígena já extinta, que migrou de Pernambuco espalhando-se pelo rio Madeira. Seu destino foi a morte ou o "caldeamento", a transformação de índio em caboclo ribeirinho, afinal brasileiro.

Por que a sede da ilha Tupinambarana, Vila Bela de Imperatriz ou Nova da Rainha, elegeu se batizar Parintins? Não foi deferência com o visitante, e sim respeito ao guerreiro vencedor.

“Quanto à substituição dos tupinambaranas pelos parintintins no imaginário parintinense, é compreensível que a identificação fosse com os vencedores e não com os vencidos, posto que os tupinambaranas em fins do século XVII se encontravam miscigenados com a população local” (BRAGA, 2002:313).

E o lindo Chico de todas as brasileiras admirado por todos os brasileiros e estrangeiros - residentes ou visitantes - nacionalizou um imaginário local no verso de Bye Bye Brasil...


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7.4.05


O papa é pop-neo-pós...

... E, segundo uma miríade de ecologistas consternados, o fim está próximo. Coadunemos as afirmações dos apocalípticos desintegrados com o testamento espiritual, finalmente traduzido do polonês para o italiano - provavelmente pelo "herdeiro espiritual", o secretário particular de Sua Santidade mortinha da silva, um senhor de origem polaca como o próprio. Leiamos em bom português as palavras do papa pop que começou como alpinista espiritual e morreu gente como a gente, como o Cristo Jesus morreu na cruz para nos salvar.

"Vigiai, pois não sabeis o dia em que o Senhor retornará". (Frase de abertura do documento, tiradas do Evangelho Segundo São Mateus) -"A queda do comunismo aconteceu por causa de seus próprios problemas". - "Graças à Providência Divina, a Guerra Fria terminou sem um violento conflito nuclear." - "O Senhor prolongou a minha vida e, em um certo sentido, deu-me uma nova." (Escreveu em 1981, referindo-se à forma milagrosa que Deus o salvou da morte", quando o turco Mehmet Ali Agca atirou contra ele na praça São Pedro)

In nomine Patris, et Filii et Spiritu Sanctu, Amém.
Lá do Alto do Poleiro das Almas sua santidade Villa Lobos rege em quaternário o trenzinho caipira ou as Bachianas Brasileiras, enquanto o Aerolulalelé voa com uma mãe de santo (afinal ela embarcou no Recife???), um rabino, um xeque islâmico, um evangélico... mais o Príncipe Presidente FHC e Exmos. Srs. José Sarney, Severino presidente da Câmara - "daqui pra frente vou em tudo quanto é enterro de papa..." (rererererere, risos à larga, à solta, viu caros amigos portugueses?)

Nosso caro analista político Alexandre Garcia avaliou os erros político-ecumênicos de Lulalelé.
Mas o cara veio da lama ao caos, é um sindicalista como foi um certo presidente da Polônia.

Diante de todos esses índices, ícones, símbolos, podemos dizer, dentro de um certo referencial, que A HISTÓRIA ACABOU. Fukuyama finalmente pode dormir em paz e Umberto Eco pode reescrever seu magnus opus com o novo título: Apocalípticos Desintegrados, versão brasileira a&C São Paulo.

Pã-parararã-parararararã... Casseta e Planeta Urgente está repleta de material para rir à solta na próxima terça. E é piada de brasileiro,viu gente, pois os portugueses são muito sábios!!!!


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