Pat na Amazônia

7.7.04


Quatro da manhã, seis de julho, os rojões anunciam a chegada dos romeiros. Acabou o ciclo profano, começou o ciclo sagrado, a festa da padroeira, Nossa Senhora do Carmo. Sete horas da noite, cordões de fiéis vestidos de branco e vermelho e de branco e azul (pelos santos, nada a ver com Caprichoso e Garantido!) rezam e cantam ao andor que vem envolto em flores coloridas. Quase todas as cunhantãs se vestem de branco, cheias de rendinhas e babadinhos. A praça da igreja se forra de gentes, a fachada de tijolinhos veste uma luz solar, laranjavermelhado e a nave da catedral, só hoje, parece pequena, porque são muitos os que vieram. Fora da missa é a quermesse na praça, com barraca de sorvete, barraca de vatapá com arroz, macarrão, galinha caipira, barraca de pescaria e o bingão. Todos envergam a melhor roupa e se perfumam para o encontro - uma comunhão silenciosa, posta ao lado da algazarra do boi-bumbá. É festa também, só que mais íntima.


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2.7.04


O Garantido ganhou por uma diferença de 14 pontos, entristecendo a galera azul e branca. Em 39 anos de Festival, foram 24 vitórias do Garantido, 14 do Caprichoso e 1 empate.
Dona Matilde, como vimos no comment do post abaixo, intuiu bem ao falar de Mário de Andrade. Macunaíma, filho do encontro proibido entre sol e lua, foi a lenda amazônica da última noite garantida.
O boi chegou pelas mãos de São José; Pedro não acreditou que dali descesse. É um boi mecânico, comentou, e de fato era. Mas o boneco gigante do santo se abaixou pelas mãos dos artistas, "ajoelhou" junto a uma escada e ali o tripa do boi deu vida ao Garantido. Uma performance fenomenal.
O amo do boi tirou versos setessílabos e rimas ricas para o Garantido, e nisso se saiu bem melhor que o adversário. A beleza das fantasias da cunhã poranga e da alegoria da castanheira no Caprichoso encantou mas não foi suficiente para garantir o título.


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