Pat na Amazônia

19.5.04


Hoje fui ver "Diários de Motocicleta" e topo ver outra vez, com alguma amiga querida - Ciça, de Tatuí, que bastante me visita virtualmente mas pouco de presença física, e Ale, que propôs uma sessão no domingo mas não voltou de PoA até agora (vide post sobre ela, Ale Ceregatti, lá nos idos de março - e a vida dela não tem nada a ver com o Império Romano! tem mais a ver com o declínio do império norte-americano, digo, dos Estados Unidos da América).
A viagem dos dois ches, o quase médico Che Guevara e o outro che che me faglia ahora la memoria del nombre, pero fué y es muy importante para la salud cubana, é jornada de heróis. Podemos estudar o cronotopos básico do romance de aventuras grego, segundo as teorias de estilística bakhtiniana. Mas além da viagem horizontal, foi uma jornada vertical, xamânica, transformadora no trozo de vida de los caminantes que siguen el camino solamente por el caminar. Abençoada seja sua viagem, diz a peruana (?) na mina do deserto de Atacama. E ela recebe o prêmio que poderia ser para pagar um maiô para a amada de Guevara no sul argentino, fim do pampa, última paragem de conforto antes da Patagônia e da coluna vertebral andina. Quinze dólares americanos, que pagariam muito mais que uma noite com uma puta num barco en el Amazonas. Mas aí a história não teria a menor graça, porque muito hollywoodianamente previsível (o encontro com a amada, tema central do romance de aventuras grego e de todos os filmes açucarados que nós mocinhas adoramos nas sessões da tarde) ou porque muito parecida com Pantaleón y las visitadoras.
Não, você não viu este filme. Ou viu algo dele em Terra Estrangeira e em Central do Brasil. Mas Che, como Walter Salles, deixou de lado o provincianismo e declarou seu amor pela América latina mestiça. Um viva a nuestra América latina, unida aunque desunida y mestiça por todo el siempre y cada vez más. Schatzi, aber hallo! E os nomes dos médicos, superitalianos no sobrenome e superindígenas de feição? Isto é realidade ou ficção? Pode bem ser realidade, pois sabemos da importância histórica dos missionários italianos - Deus que me perdoe, mas de algum desses bagos há de ter saído a semente para os fartos ventres índios. Ou então foi coisa de puro cunhadismo, diria Darcy, pues si fuera un hijo de puta tomava el nombre del santo padre... Os salesianos deixaram a marca histórica e cultural no Acre, por exemplo. Não sei se também a genética, mas isto não vem ao caso.
Parece que o filme foi muito bem recebido em Cannes. Lugar de cinema bom é mesmo na Europa. Oscar é coisa de blockbuster, na acepção estrita e lata do termo, quero dizer, aqueles filmes que só arrasam quarteirões, mas não alteram corações nem mentes, e que só servem pra dar muito lucro pras Blockbusters da vida...


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