Pat na Amazônia

15.4.04


Hoje levantei com uma hipótese ou interrogante ou questão: A transubjetividade começa na intrasubjetividade (relação corpo-mente – ver Damasio), avança pela intersubjetividade (ação comunicativa de Habermas) até alcançar a atravessagem dos sujeitos. Bem como a objetividade total, a transubjetividade plena é impossível de alcançar. Como proposta, a transubjetividade aponta um caminho – o caminho da atravessagem dos sujeitos. Não mais o sujeito definindo o objeto (idealismo subjetivista), nem tampouco o objeto determinando o sujeito (materialismo objetivista). A transubjetividade ultrapassa dicotomias e dialéticas, inscreve-se portanto na multilética.


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8.4.04


Deu no Jornal Hoje: alagamento em Altamira.
As chuvas na Amazônia ocorrem normalmente entre dezembro e maio, porém algumas regiões têm sido mais castigadas por enchentes. E por que será? Por causa do ambiente entropizado, diriam os engenheiros florestais. Quem viu uma chuvada forte em qualquer várzea amazônica sabe como o rio muda de cor com a terra que escorre pelo barranco.
O comportamento dos rios na Amazônia está diretamente ligado ao solo, ensina o prof. dr. Reynaldo Victoria, diretor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), em Piracicaba, SP. Essa afirmação resulta de uma série de pesquisas com base no rastreamento do carbono 14 (isótopo estável do carbono, normalmente com 12 prótons em seu núcleo). Diferente do que ocorre na Europa, onde o comportamento do rio se liga fortemente à chuva, na Amazônia a erosão do solo tem impacto ainda mais importante no ciclo das bacias hidrográficas.
E todos sabemos que, além da erosão, o desmatamento causa catástrofes climáticas. Aí está o furacão Catarina para dissipar qualquer brisa de dúvida. O preço a pagar pelo desenvolvimento não sustentado é alto. Por isso, Marabá, Altamira e Belém estão mais sujeitas às enchentes do que, por exemplo, Parintins ou Silves (isso para não citar as reservas de desenvolvimento sustentável, como Mamirauá).

Por conta da ganância e do crescimento desenfreado, sem planejamento, São Paulo deixou de ser a terra da garoa para virar a capital dos alagamentos. Não tem prefeito que resolva. O mal está feito e agora é remediar e evitar que ele se alastre ainda mais.

Quem hoje é vivo, corre perigo... canta o hino dos engenheiros florestais, aquele com 32 espécies de árvores assim como trava-língua e desafio à memória (vi quem desfilasse a ordem sem titubeio):
só quem pode nos salvar
é caviúna cerejeira baraúna
imbuia pau-d´arco solva
juazeiro jatobá
gonçalo-alves, paraíba itaúba
louro ipê paracaúba
peroba massaranduba
carvalho mogno canela imbuzeiro
catuaba janaúba arueira araribá
pau-ferro, angico amargoso gameleira
andiroba copaíba pau-brasil jequitibá


Thomas quer conhecer o Parque do Vassununga, onde vivem os maiores jequitibás do Estado de São Paulo. Será um presente de aniversário.


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7.4.04


Há um par de semanas, na aula cujo tema era “Deontologia jornalística – da objetividade à transubjetividade”, citei a pesquisa de Barroso Asenjo (in Karam: 1993), que mostra 100% de presença da expressão “objetividade” nos códigos deontológicos jornalísticos. Falta tradição no Brasil no uso do termo deontologia – conjunto de normas e princípios que visam preservar a ética de uma profissão. Na Europa, é de uso corrente, e foi “importado” para o Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA/USP pelo prof. Dr. Carlos Chaparro. Não escrevemos códigos deontológicos, porém há os manuais de redação dos periódicos (e também dos meios eletrônicos). A maior parte de seu conteúdo, tal como analisei em minha dissertação de mestrado, se atém aos gramatiquismos e normas ortográficas. Nas poucas páginas, ou linhas, dedicadas à “ética”, vemos distorções. O pioneiro manual da Folha de S. Paulo, por exemplo, pede objetividade ao jornalista mas diz que não existe objetividade em jornalismo. Então, como fazer algo que não existe? Essa pergunta instigou minha pesquisa no mestrado, que culminou na proposta de transubjetividade. Ela é o equilíbrio entre a objetividade, a subjetividade, a normatividade e a intersubjetividade (tetraedro proposto por Habermas). Falava isso na aula quando um dos alunos, o Danny, perguntou:
- Quem defende isso?
- Eu. E talvez alguns amigos.
Alguém no fundo da sala disparou:
- E nós, professora!
Dias antes, quando puxava a brasa pra minha tese no Núcleo de Epistemologia do Jornalismo, o colombiano Raul Osório Vargas, doutor recente do núcleo, comentou:
- Não importa o nome, transubjetividade, diálogo possível, jornalismo autoral, nos referimos todos à mesma coisa: a valorização do Sujeito.
Falou e disse o Raul. Foi bom para relativizar, ou melhor, contextualizar, uma “descoberta” que é mais uma proposta – inovadora, sim, mas não se trata de botar em pé o Ovo de Colombo. De todo modo, sigo firme com esse nome, e gosto muito do prefixo trans junto ao radical da palavra. Transubjetividade, afinal, é a atravessagem dos sujeitos. Atravessagem que nem sempre se dá em águas calmas, muitas vezes são mares bravios ou rios revoltos.


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4.4.04


Aviso aos navegantes
Este blog, que no domingo de páscoa completa um ano de existência, surgiu para ser o diário de bordo de uma viagem que fiz entre Belém e Manaus em junho/julho de 2003 - daí o nome Pat na Amazônia. Em setembro do ano passado, inscrevi meu projeto de pesquisa para o doutorado em Ciências da Comunicação na ECA/USP. Passei na prova escrita com a nota mais alta do departamento, oito e meio, e agora sou doutoranda no núcleo de Epistemologia do Jornalismo, sob orientação da profa. Dra. Cremilda Medina. Meu projeto de pesquisa foi, há um par de semanas, contemplado com uma bolsa do CNPq - e nele menciono este blog como forma de experimentação para a narrativa transubjetiva (aquela que ultrapassa os cânones objetivistas e busca aliar as vertentes subjetiva, objetiva, normativa e intersubjetiva da comunicação, segundo Habermas).
Portanto, caros leitores, não estranhem se daqui pra frente meus textos ficarem mais "científicos" e menos "viajados". Precisarei fazer tal esforço. Mas prometo me esforçar mais, de modo a conseguir textos "poéticos" e "científicos" a um só tempo. Na verdade, esta é a meta, o princípio (deontos) e o fim (teleos) de uma narrativa transubjetiva, ou autoral, inspirada no diálogo possível, ou como queira lhe chamar.


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2.4.04


Copy/paste

Agora ouço de Villa Trenzinho Caipira
penso na tela São Paulo, de Tarsila
eta vida besta, Bandeira
isso é que é vida boa:
belo belo belo belo
tenho tudo quanto quero
a delícia de sentir as coisas mais simples

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Ontem cheguei em casa à meia-noite, depois de 14 horas fora de casa. Jornada tripla: ECA/Abril/ECA. Não tenho mais idade pra isso, gente. Março foi um mês cheiíssimo, atabalhoado, fiz oito matérias e ganhei só por uma. Eta vida besta. Ainda bem que a bolsa saiu. Agora não preciso viver tão mambembe, tão beija-flor, batendo tanto as asas por uma mísera gotinha de néctar. Agora preciso (adivinhem) trabalhar, e além disso era bom ir na feira. E a roupa tá esperando na máquina para ser pendurada.
Agora entendo porque tanta gente quer emprego... estabilidade não faz mal a ninguém, aliás pode fazer bem. Ça depends, na ja, ich weiss, aber... non è facile questa vita arlequina.


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