Pat na Amazônia

31.3.04


O que mais uma mulher pode querer, se tem homens inteligentes à sua volta?
Money no bolso, saúde e sucesso... é tudo isso e mais um monte de homens bonitos e inteligentes ao meu redor (mulheres também!), o que eu quero nesta vida besta e às vezes sublime.

F***-se as burrocracias que atrapalham a vida. F***-se os hackers que não têm o que fazer e travam certos computadores de quem luta e com o suor do rosto mal paga as contas do mês. F***-se os antivírus que nos enviam mensagens parecidas com vírus só porque nossa assinatura de antivírus está acabando.

Vivam os homens e as mulheres inteligentes. Agora estou feliz.
Adieu, meine lieber Leser und Leserin, weil ich arbeiten jetzt muss.


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29.3.04


Faz tempo que não blogo, e os motivos são os de sempre: muuito trabalho, somado aos estudos. Este micropost é só pra celebrar: sou a mais nova pesquisadora doutoranda bolsista do CNPq. E este blog está juramentado como "caderno de campo virtual".
Vocês, leitores, serão meu "grupo controle da transubjetividade". Que tal, hem?
Aguardem os posts de junho-julho, para qdo estou prevendo minha primeira viagem de campo: Parintins. Garantido (e o contrário) que me aguardem!


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23.3.04


O sonho e o tempo

Tenho pena dos deuses e deusas: eles nunca viveram infância.
Nós, pobres mortais, sempre a temos, ainda que escondida e acuada num canto escuro, aninhada feito surucucu esperando a hora do bote. Wissenschaft, a fraternidade do saber, transcende racionalizações adultas. O verdadeiro sábio é velho, menino e homem grande; bruxa, garota e mulher feita. Melhor que García Lorca o diga:

El sueño va sobre el tiempo
flotando como un velero.
Nadie puede abrir semillas
en el corazón del sueño.

El tiempo va sobre el sueño
hundido hasta los cabellos.
Ayer y mañana comen
oscuras flores de duelo.

Sobre la misma columna
abrazados sueño y tiempo,
cruza el gemido del niño,
la lengua rota del viejo.

Y si el sueño finge muros
en la llanura del tiempo
el tiempo le hace creer
que nace en aquel momento.


(Federico García Lorca, extraído de “Así que pasen cinco años” e musicado por Ricardo Pachon)


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19.3.04


O mistério do estacionamento

Não sei se é porque não reparava na época, mas tenho impressão de que em meu tempo de ECA (1991-1994) havia muito menos carros estacionados nas calçadas que bordejam o complexo FEA-ECA-Psicologia. Das duas uma, pensei:
1. o poder aquisitivo dos ingressantes na USP aumentou.
2. o preço dos carros populares abaixou proporcionalmente à renda média da família uspiana.
Verifiquei os modelos, entre eles carros não propriamente populares, e sim bem mais caros que o meu corsinha 97 - meu primeiro e único automóvel, comprado apenas em 2000. É, vivi nove anos em São Paulo sem veículo próprio. E assim li a obra completa de Thomas Kuhn (no original em inglês) dentro dos bumbos paulistanos - em apenas três meses de congestionamento!
Na saída da aula ontem à noite ofereci carona pros bixos. Foram seis atulhados no pobre corsinha, cuja suspensão já anda bambaleante nos seus quase 60 mil quilômetros. Dirigi bem devagar e com cuidado nos buracos. Ouvi dizer dos meus alunos que já couberam nove caras num corsa, imaginem. Deviam ser magros como você, Circe, comentei. Eu, magro? É, você é magro, todo mundo aqui é magro. Ugo, na frente, reclamou dizendo que era gordo. Eu disse que nada, você é magro. Mas tenho barriga! Ah, é barriga de cerveja. Fatal. Que nada, é barriga de toddy mesmo! Toddy vicia, sabia?
São uns bebês esses meninos. E neles deposito a esperança de um jornalismo melhor.


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18.3.04


Agruras de uma jurássica no mundo digital

Depois que inventei de abrir meu emala no Fórum Social Mundial e blogar na Rede da Cidadania, misteriosamente emalas de remetentes desconhecidos com assuntos os mais estranhos começaram a aparecer em minha caixa postal. Alguns deles tinham a ver com 'vírus, cuidado', outros vinham com o 'inabrível' conteúdo 'unknown' e assim por diante. Passei antivírus em todo o sistema e aparentemente nada de estranho foi detectado. Não entendo desse assunto mas já ouvi falar de hackers, claro. Porém, sou uma pessoa de boa fé e confio na boa fé das pessoas. Isso caiu por terra quando recebi o seguinte emala do meu administrador de sistema: "você (ou um vírus) enviou uma mensagem para a Secretaria da Fazenda, que foi bloqueada pelo sistema de antivírus". Que é isso? Eu nunca entrei nem no site deles, ou entrei? Sei que jamais mandei email para a Secretaria da Fazenda, nem recentemente nem nunca. Não é um absurdo, gente, o que esse bando de folgados apronta? Deviam mesmo contratar hackers para - não só - desenvolverem antivírus cada vez mais poderosos (eu é que não caio nessa paranóia) - mas também fazerem algo útil, por exemplo, dar aulas de "inclusão digital" para quem necessita, ou então, sugerir dicas de proteção na web para seres jurássicos feito eu...


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14.3.04


Ser ou não transgênica, não eis a questão

Meu amigo Zé Edu vai se casar com uma geneticista mineira de carinha de Branca de Neve. Ela estuda em Boston, então meu amigo Zé, graças à sua amada que faz pesquisa no país que é o maior produtor de soja transgênica do mundo, virou "transgênico até a alma", nas palavras do próprio - espero que não se incomode de publicar isto aqui. Acho que ele não se envergonha da afirmação, antes pelo contrário. Me recomendou ler a entrevista principal da IstoÉ sobre o assunto. Bom, vou ver. Mas antes mesmo de conhecer a defesa da "pobre" Monsanto, li uma entrevista de um pesquisador do ICB/USP falando uma coisa muito certa: esse bafafá todo de transgênicos x não transgênicos na verdade esconde o buraco mais baixo dessa lavoura altamente mecanizada e, por vezes muitas, degradante do solo. (Quem fez essa entrevista foi o Fábio Castro, da Agência USP). (Tem otras cositas más, como bem lembra a Karina Ninni, o interesse das empresas "pequenas" que vendem herbicida, por exemplo).
Sabe-se que boa parte do inchaço nas grandes metrópoles veio da mecanização da soja. Também se sabe que a fronteira de expansão agrícola, leia-se soja no Mato Grosso, ameaça a Amazônia. A monocultura da soja já comeu milhares de hectares de floresta, já engoliu a única praia urbana de Santarém - "graças" aos silos da Cargill. Nos EUA, 85% da soja é transgênica - o dr. Mark Messina, entusiasta desse grão e professor numa universidade no estado de Washington, teve a cara de pau de me dizer que "não vê vantagens no consumo de orgânicos". Então tá.
Não sou contra os transgênicos. Sou a favor da bio-sócio-diversidade. E a soja, monocultura cujos maiores lucros se reservam a grandes corporações, atrapalha nossa bio-sócio-diversidade. Mesmo assim, como tofu, proteína vegetal texturizada e shoyu quase todo dia... Mas vou na feira comprar milho e arroz, que estão baratinhos por causa dessa chuva toda. Moral da história: comer de tudo um pouco, sempre com moderação. E dar prioridade aos produtos vindos da agricultura familiar. Cadê Lula que prometeu tanto crédito pro pequeno lavrador? Quero saber a quantas anda esse papo. Agora só se fala de soja, poxa. Quer dizer: a soja, literalmente, ajuda a garantir o meu feijão com arroz. Não é por isso, no entanto, que vou endeusar a soja, certo?
Como tudo na vida ela tem seus prós e contras...


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12.3.04


Me perguntaram como foi o dia do meu aniversário. Pois eu digo: meu 11 de março foi de muito trabalho, como sempre. É incrível, mesmo que meu aniversário caia num sábado ou domingo, sempre trabalho bastante - quase demais - no meu aniversário. Mas tudo bem. Com saúde o resto vem, espero que grana inclusive, pois estou no segundo mês consecutivo de déficit na minha balança comercial. Sorte que guardei em novembro um razoável fundo de caixa. Para o próximo trimestre, porém, estou otimista, e contente com a supersafra do milho e do arroz anunciada pelo ministro Roberto Rodrigues. O peso dos tais 130,8 milhões de toneladas de grãos ajuda a matar a fome de quem nem sobrevive (espero) e alivia o meu remediado bolso, afinal, há três semanas só comprava três espigas de milho com dois reals e agora compro seis. Não é uma maravilha na microeconomia doméstica? Agora pobre come frango e come milho. E remediado come soja não transgênica - háháhá, a Monsanto vai levá - vcs viram, né, que a gigante da soja foi condenada por unanimidade devido ao contrabando de sementes transgênicas? a segunda bomba mais importante do dia do meu aniversário, depois daquela no trem espanhol em Madri. O nosso trem espanhol da marginal vai bem, obrigada, seu picolé de chuchu. O duro é quando chove demais, né? Mas isso foi invenção do Maluf (blrgs!): impermeabilizar as várzeas do Tietê e do Pinheiros pra consolidar de vez o calvário eterno das enchentes.
Reembarquemos no trem de Madri, sem explodir, só pra comentar: que tal, o ataque terrorista vai afetar as eleições espanholas no domingo? Fiz bolão na ECA e só um aluno, o Ugo, teve coragem de apostar na Al Qaeda. Faz sentido, os fundamentalistas islâmicos têm alguma coisa com o dia 11...
Vamos esperar pra ver. Ainda bem que esse negócio de terrorismo não chegou aqui. E no Jardim Ângela e em Cidade Tiradentes, cada dia pipoca alguma boa notícia. Tá na hora de fazer de fato o Brasil o melhor lugar do mundo. É muito "simples", basta resolver a desigualdade social. Isto começa por cada um de nós. Uma boa ação do dia? O consumo consciente. Outra? A redução na entropia. Faz bem pra sua saúde gastar menos energia, desperdiçar menos matéria, e a sua saúde é a saúde do planeta. É isso aí o que quero de presente de aniversário, tá, gente?

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O mundo gira e a Lusitana roda...

Ou seria o contrário? Lula tentou ser presidente três vezes, conseguiu em 2003.
Patrícia tenta um sucesso sonhado, ainda não chegou lá, mas está a caminho.
O ano de 2003 foi um turning point para Lula, Patrícia e tantos outros que, cada um à sua maneira, fazem o que gostam e lutam pelo que acreditam.
Assim é que Eugênio Bucci, depois de tantos anos na Editora Abril e algum breve período cuidando de projetos pessoais, foi dirigir a Radiobrás. E hoje o tema da ouverture do Guarani toca em riff de guitarra: Voz do Bra-sil!!!!
Assim é que André Singer, depois de um par de anos chefiando a redação de Superinteressante (conhecida nos corredores como Superestressante, meio na brincadeira, meio a sério), foi ser assessor de imprensa de Luís Inácio.
Assim é que Bernardo Kucinski, depois de vários anos ensinando na ECA, foi pra Brasília e hoje tem a ótima Agência Carta Maior, sugiro visita. Não leio mais Folha, só Zé Simão, muito menos o pomposo Estado, de jeito nenhum a cada vez mais fraca Veja. Gosto agora de ler a Agência Carta Maior. A cobertura dos transgênicos está competente e a narrativa do colega Nelson Breve sobre o estado "UTI" de Zé Dirceu, tão bem escrita que seu abre merece entrar pra lista dos clássicos do jornalismo brasileiro. Talvez haja exagero na afirmação, mas o Nelson, de todo modo, tem um estilo muito bom. Confiram e comentem aqui pra que eu saiba vossas opiniões.
Voltando ao prof. dr. Bernardo Kucinski. Como ele saiu de São Paulo e foi pra Brasília, deixou vaga sua cadeira "Legislação e Deontologia do Jornalismo" para esta que vos escreve. Pois esta, nem que seja daqui a dez anos, vai chegar lá. Como Lula ela tem paciência. Minha amiga Marcia Blasques diz perder a paciência com o governo. Mas eu estou otimista com a supersafra do milho e do arroz. E mais ainda com a notícia de que a Monsanto se ferrou ontem. No próximo post (que estará acima deste) falo mais sobre os assuntos que moveram o dia do meu aniversário, 11 de março.

ps. o meu "chegar lá" não tem nada de afifiano. Não quero ser presidenta. Me interesso por políticas públicas como jornalista e cidadã. Não posso pagar 300 contos pela pós na Fundação Escola de Sociologia e Política - nem me interessa, pois pago zero contos pelo doutorado na ECA/USP - mas bem gostaria de ganhar uns 3 000 dando aula lá. Quem sabe um dia. Pra mim seria uma honra ensinar na escola que acolheu Darcy Ribeiro, assim como já é uma honra ensinar na escola que me acolhe há 14 anos.


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8.3.04


Mensagem às mulheres

hoje é nosso dia. Trabalhemos e lutemos para que todo dia seja dia da mulher, do negro, do índio, do miserável, do excluído social, cultural, digitalmente da sociedade.
Pois este - antes de ser mãe, esposa, amante - é nosso verdadeiro papel. Cooperar por uma sociedade mais justa. Não sei se "um outro mundo é possível" assim de uma vez, revolucionariamente global. Acho que ele só é possível se cada uma de nós cuidarmos, em primeiro lugar, de nós mesmas, e depois do nosso companheiro, do nosso vizinho, do nosso filho, da nossa cidade, do nosso país, sempre com a consciência de que somos todos filhos da Mãe Terra.

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Toda mulher é meio Leila Diniz

Nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda...

(...)
E o buraco é mais em cima...

Sim, eu fui no show do Ibirapuera. E o Suplicy tava do ladinho, de camiseta pólo salmão, bermuda cáqui, tênis branco e a mãe bem juntinho. Ela é uma senhora muito distinta, com seu cabelinho todo branco, e o vestidinho de vó, azul marinho de pequenos círculos concêntricos brancos. No início, com tantos flashes espoucando no senador, foi difícil concentrar na orquestra - que errou umas entradas, cujos metais por vezes desafinaram e cuja guitarra (boa solista de rock) escorregou com a poderosa Rita Lee e errou o acorde. Mesmo assim, a mina ruiva de Sampa rasgou todos os possíveis elogios para a orquestra. E a roupitcha da maestrina? Era como um fraque estilizado em feminino vestido, mas ao fim - especialmente em contraste com o visual macho de Rita Lee - ficou parecendo um bobo vestido de noiva com cauda farfalhante.
Zélia Dãããncan estava linda com aquela saia comprida, uma ligeira prega drapeada atrás, um aplique estampado parecendo avental. Perfeito: símbolo visual da mulher que soube estilizar seus papéis tradicionais e superá-los por meio da arte.
A deliciosa Paula Lima fez o gênero gostosa, com um vestido justo laranja que dispensava a calça preta por baixo (talvez orientação das organizadoras, para não explorar muito as pernas, talvez própria vontade da moça de escondê-las).

O trio parada firme, no fim do show, fez alusão explícita as LôraBurras do Tchan.
Zélia discursou breve e incisivamente sobre a condição da mulher: um ato político, tal deve ser o dia de hoje - se nos querem dar rosas, muito obrigadas, mas este dia não é dia de festa, é dia de apelo, protesto, manifestação e reforço de uma transformação urgente.

Todos precisamos feminizar nossas almas (e o mundo, especialmente o mundo do poder nas corporações, está coalhado de mulheres com almas masculinas), se quisermos um planeta sustentável. A competição, o consumismo do tipo egoísta, "deixa pra mim e danem-se os outros", "o que eu levo com isso?", "e daí o futuro? não vou mais estar vivo?" são atitudes insustentáveis.
A cooperação competitiva (ou competição cooperativa, vá lá), o consumo consciente, o "estou e sou integrada com o outro e o Mundo", "o que nós podemos fazer para melhorar isso?", "o futuro é agora e quero estar bem viva, assim como o Planeta, pelos próximos muitos tempos". Eis os apelos que todas as mulheres, ricas e pobres, lipoaspiradas e desdentadas, gritam hoje - mesmo que lá dentro de suas carnes e de suas almas. A diferença é que as primeiras não precisam gritar pelo feijão, pela casa, pelo conforto. O duro é que tanto ricas quanto pobres sofrem violências sexuais de toda espécie. A felicidade é que já existem homens com um lampejo feminino em sua alma e sabem, mesmo sutilmente, receber a dádiva do ser mulher. Sabem respeitar suas parceiras, sabem aceitar seus reclamos, sabem partilhar com elas seus anseios.

Vivam as mulheres e vivam os homens que respeitam as mulheres!


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2.3.04


Estou blogando de grátis, no ônibus transformado em ponto de inclusão digital pela tia Marta. Vim caminhar no Ibirapuera, no programa "Condicionamento Físico nos Parques" (Confipa), parceria da prefeitura com o Incor. Amanhã é dia de trocar a planilha de treino.
Atenção: isto aqui não é release nem merchandising da prefeitura. É apenas uma cidadã aproveitando o que a cidade oferece, e afinal a que tem direito pois boa pagadora de impostos.
Uma jovem universitária do Mackenzie que conheci no programa Confipa, vegetariana assumida, queria minha receita de arroz tropical. Convidei-a a este blog. Ela estava sentada ao meu lado aqui no ônibus da "rede da cidadania" que efetiva a redópolis, teoricamente, a todos os freqüentadores deste parque. Gostou da receita e encaminhou para um amigo. Salvou a página e meu email. Seu nome é lindo como ela: Sephora.
Nome grego para uma bela morena sampaulista vegetariana universitária e atleta.
Encontros da redópolis, metrópole conectada à rede.


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1.3.04


Frase do Oscar 2004
(não transmitida, evidentemente)

"We are the best actor... we are the best actor... the award is ours... oh precious award, the award is ours, we are the best actor..." (Sméagol)
Depois do quarto Oscar do Senhor dos Anéis, tava mais que na cara que o Meirelles não ia levar. Fui dormir. Só faltou mesmo, para a décima-quarta estatueta, o Oscar de melhor ator para Sméagol. Tadinho.

Pra quê tanto burburinho, pra quê achar "o máximo" filmar um épico de nove horas nas "lonjuras da Nova Zelândia"? O máximo é filmar um drama social na favela do terceiro mundo, cara. Ou um épico do tipo Fitzcarraldo, nas lonjuras e quenturas amazônicas. Achar difícil filmar nas "lonjuras da Nova Zelândia" é coisa de americano que nunca saiu do Oregon. E olha que não conheço a Nova Zelândia, mas sei que sua "natureza selvagem" conta com uma muito bem-domesticada infraestrutura de "turismo ecológico radical".
Um bom diretor é aquele que conta com atores profissionais e profissionalíssimos efeitos especiais? ou é aquele que conta com orçamento minguado e decide filmar com atores sociais sem nenhuma experiência de palco que não a vida?
Dane-se o Oscar. O ano passado pelo menos teve aquele fuzuê contra a guerra - melhor dizer, invasão ao Iraque. Este ano foi pasmaceira pior que desfile no Sambódromo ou campeonato da terceira divisão (ou primeira, né, futebolistas que acompanham o Brasileirão?). Ainda bem que só vi uns quinze minutos da transmissão.

Thomas perguntou se Dogville concorreu a algum prêmio. Eu disse, acho que não, é um filme que detona de vez a podre sociedade dos United States of America. Quem gosta de blockbuster gosta dos oscaráveis, quem os vê mas prefere filmes que façam pensar, que mudem algo na nossa vida, então tá mais pra Berlim.
Lá é o lugar de Dogville, um filme que inocula uma saudável tensão em nossos glóbulos vermelhos. Salve Brecht e a Ópera dos Três Vinténs, que inspirou Lars von Trier.
Porém, acima de tudo, salve o cinema nacional, feito assim assim, ainda quase que com uma câmera na mão e uma idéia na cabeça. E salve Bollywood. Salve a criação no Hemisfério Sol.


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