Pat na Amazônia

30.1.04


Hoje, depois de três dias muito chuvosos, abriu um sol maravilhoso. Fui à feira, comprei um monte de verduras e legumes - acelga, salsão, rabanete, chuchu, abóbora Hokkaido, vagem, pepino, cogumelos frescos - e arroz cateto e feijão preto. É muito mais ecológico (menos embalagens) e mais fresco, nem sempre mais barato, muitas vezes mais caro que no super, mas sempre vale a pena. Sem falar no passeio - inda mais num dia de céu bem azul e sol. Que preguiça de trabalhar!
Na feira comprei milho verde, também, do meu tapioqueiro, e o fornecedor de legumes, o Ricardo, estranhou: "é a primeira vez que você não vem com a tapioca!"
Como eu adoro ir à feira! Inda mais na sexta-feira, numa sexta-feira de sol tanto mió. Qdo saio do Brasil a coisa que mais sinto falta é da feira e seus produtos.
Como são caríssimos os hortifruti na Europa (e, a não ser que conheça um agricultor de orgânicos nos arredores, como o que visitei no Algarve, vem tudo de estufa, da África ou dos Açores).
É, meu papo tá muito mais pra doméstica do que pra jornalista. Juro que com esse sol queria passear no Ibirapuera. Ontem fui lá cedinho e me inscrevi no programa "Exercício nos parques", do Incor com a Prefeitura. Assim que resolver minha grade de aulas na pós, em 9 de fevereiro, vou organizar minha natação - ou no cepê ou aqui na Federação Paulista (Ginásio do Ibirapuera).
Meta de ano novo: mexer o corpinho de grátis!
Mas o pensamento "preciso produzir" é sim viciado. Claro que precisamos, pro nosso prazer e bem-estar. Mas isso não significa trabalhar oito horas por dia, nem quatro sequer. Vc pode trabalhar duas hoje, oito amanhã, nenhuma na segunda...
Prazer, eis a palavra de ordem. A professora de piano perguntou, mais de uma vez, se eu queria fazer programa de conservatório, e eu não, quero livre (mesmo quando estudava no conservatório de Tatuí fazia uns programas sem Bach e com música brasileira contemporânea, e outras esquisitices!).
Confesso que essa virada não é fácil. Não foi fácil a transição, melhor dizer, ruptura radical, no ritmo de vida. Pra mim foi um salto no abismo, um delírio, uma dor grande da perda e da iminência das múltiplas e novas possibilidades (somada à perda da minha vó), ou seja, muito estresse.
Mas agora é o ano novo e estou desintoxicando com a dieta sem dieta da Sônia Hirsch. Sempre nas transformações tenho feito - quando voltei da Amazônia foi muito útil. É macrô, vegeba-vegeba, nem fruta entra, mas muito cereal e verdura e legume e tofu. Semana que vem termino o ciclo e aí vou liberar um mamão, um abacaxi, um yakissoba - feito em casa e sem gordura, of course! - e um salmão.
E como meu estômago começou a roncar (café da manhã foi uma papa de arroz!) e a Ju vem almoçar comigo, vou parando...


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7.1.04


feliz ano novo a todos! bem que tentei, mas a maré estava muito seca e só deu pra pular sete ondulações discretas na banheira atlântica do litoral pernambucano. Ontem fui ao Museu do Estado, recém-reinaugurado em casa nova chamada Cícero Dias: o primeiro museu que visitei com cheirinho de novo. Entre as paisagens pernambucanas e os objetos de xangô transpassados à simbologia armorial - flechas e curvas imemoriais - um acervo de arte indígena, plumária e cerâmica, herdado do Goeldi paraense. A proximidade de uma peça inca a outra marajoara reforça a tese aceita por alguns antropólogos de que a civilização andina avançou até o médio Amazonas. Mas o que me irrita nas exposições do gênero é a falta de um mapa localizando na geografia que se aprende na escola os territórios das nações Kulina, Xavante, Kaiapó, Urubu-kaapor... Ora, não somos etnólogos! No MAE da USP tem um, que ajuda a resolver o salto entre mapa e território.
Voltemos ao acervo do Museu do Estado, acolhido na construção contemporânea do arquiteto Vital Pessôa de Melo (abas de concreto sombreando janelas de vidro azulado pra controlar a sem-cerimônia do sol pernambucano). Depois de ver os coqueiros ao vento de Telles Júnior, um pintor do massapê que viveu nos meados do século XIX, e visitar as "Duas Cidades" de João Câmara (que antes passou na Pinacoteca paulistana e no MNBA do Rio), passeei nas três dimensões as paisagens retratadas no museu. Isso só daria pra fazer lá mesmo, no meu Recife natal. Bela despedida do sol sobre o Capibaribe, as torres empilhadas do Carmo e São Pedro do alto da Alfândega agorinha recuperada em shopping de piso Chico Science e saída Pedra do Reino para a Rua da Moeda e a lua cheia no céu translúcido. Bela despedida com a lua sobre o Capibaribe.


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