Pat na Amazônia

30.5.03


diretamente de Tatuííírrrr, onde o carro faz biirrrr enquanto um trompetista ensaia escalas e um violinista bate papo (a terra do conservatório, capital da música)... mami saiu no Progresso de Tatuí nesta semana, quando do fórum regional de educação. Quem não conhece, procure nas fotos a professora mais elegante da cidade e escreva o nome dela no comments. Garanto ser baba acertar ;-) Vale um cestinho do Urucureá!


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27.5.03


Meu chacra laríngeo atacou outra vez (ich vermisse mein Lieblieb!) Então vai esse texto já pronto da semana passada:

Toda a vibração do som
Do ponto de vista físico, o som é uma onda eletroacústica, dotada de freqüência (medida em Hertz, define notas mais graves ou agudas) e amplitude (que corresponde ao volume em decibéis). A luz é uma partícula que também se desloca como onda: o violeta corresponde à freqüência mais alta percebida por nossos olhos e o vermelho, à mais baixa.
Assim podemos traduzir sons por cores e associá-los aos chacras. Quando uma orquestra vai começar o concerto, no meio da confusão de sons o oboé emite, para a afinação, uma nota “lá” que vibra em 440 Hz – uma freqüência média, equivalente ao verde no arco-íris. A letra A, grafia dos anglo-saxões para o lá, quando pronunciada ativa o chacra do coração.
Música é tom e pulso, melodia e ritmo. Sons graves, escuros, e ritmos marcados se associam aos chacras inferiores. Por isso as raves movidas a batida eletrônica chamam ao encontro vital de corpos. Notas agudas, claras, como as cantadas por uma soprano lírica, levam ao alto. Na ópera Tristão e Isolda, o clímax de amor da heroína se dá em uma nota agudíssima, que dura até a última molécula de oxigênio restante no pulmão da soprano. Bons cantores sabem lidar com as notas de “cabeça” e “peito”, e trabalham todo o tempo o diafragma. Esse músculo interno, mais ou menos na altura do umbigo, ajuda a manter o controle da saída de ar, que vibra nas cordas vocais produzindo diferentes sons. Cantar bota os chacras em movimento, afinal.
Música é geometria. Pitágoras percebeu que a altura (graves e agudos) depende do comprimento da corda. Quando tocamos no violão um intervalo de oitava (por exemplo, dó e dó mais agudo) percebemos que o mais agudo vibra exatamente o dobro, na proporção 1:2. A quinta (dó-sol) vibra na proporção 2:3 e a quarta, em 3:4. Esses são os intervalos consonantes, harmônicos, usados no canto gregoriano. A unidade seria o Pai, a oitava o Filho e a quinta o Espírito Santo. Só mais tarde entraram para a história da música ocidental a quarta e a terça menor (dó-mi bemol configura o tom dó menor, mais triste e escuro que o maior). As escalas ocidentais trazem sete notas, nomeadas por Guido d´Arezzo no século XI a partir de um cântico religioso a São João:

Ut queant laxis (ut virou dó depois)
Resonare fibris
Mira storum
Famuli tuorum
Solve polluti
Labii reatum
Sanct Joannes
(as iniciais fazem o si)

Sete notas, sete chacras.
Tocar a escala de dó maior no piano, dó-ré-mi-fá-sol-lá-si, é muito fácil, basta apertar as teclas brancas. Entre elas existem cinco teclas pretas (sustenidos e bemóis), que, somadas às sete, formam os doze tons usados no sistema ocidental. Doze tons, doze meses, doze apóstolos.
Existem nuances nesses tons: os maiores, alegres, são claros, solares. Os menores, melancólicos, são escuros, lunares. Não à toa Chopin compôs em mi bemol maior a Polonaise “Heróica”, para animar seu país na guerra contra a Rússia. Diante da derrota, ele fez uma Polonaise trágica, em dó menor, que começa parecendo uma marcha fúnebre mas no meio da composição traz uma altiva mazurca (dança típica polonesa) em lá bemol maior. Essas duas tonalidades, lá bemol maior e dó menor, relacionam-se mutuamente porque usam as mesmas notas em suas diferentes escalas.

Música dos elementos.
O sentimentalismo dos Noturnos de Chopin flui feito água, que no nosso corpo perpassa os rins; a expansão criativa de Mozart o associa ao ar vibrando na garganta em gostosas gargalhadas (no filme Amadeus, o personagem soltava impagáveis risadas agudas); Dvórak – a exemplo da maioria dos eslavos – molda acordes densos como a terra e no ritmo gruda nossos pés ao solo; a luminosidade dos Concertos de Brandeburgo de Bach lembra o fogo interno, o sol do coração.


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23.5.03


no telejornal: "Terremoto estremece a Argélia".
Qual o terremoto que não estremece?
"Terremoto pára a Argélia" era uma construção mais inteligente.
E aqui falo só de palavras vãs. Os sentimentos, inexprimíveis.
Mas parece que a incompetência do jornalista só cala quando o fato fala ao coração. Por isso no 11 de setembro todos deixaram cair suas máscaras e assumiram humildemente a impotência de narrar o impacto - físico, simbólico, emocional.
Hoje, agorinha mesmo, o jovem Danilo Costa vem me mostrar um texto onde aparece algo assim: "etnias vindas da Ásia, África e Europa". Soou estranho "etnias da Europa", mas assino embaixo. É a perspectiva eurocêntrica que cataloga etnias apenas entre os negros, índios e "orientais" (do Marrocos ao Japão no mesmo caldeirão, indígenas quase índios indianos). Provençais, suabos, saxões, bascos, catalães são etnias européias sim senhor. E viva Camara Cascudo lá no Poleiro das Almas.


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21.5.03


Não sabemos lidar com a morte, a única certeza neste mundo de incertezas.
Os índios krahó chamam espírito Mekaron e imagem, Karon. Assim, a imagem habita o espírito, ambas indestrutíveis. Boa imagem corresponde a bom espírito: inexiste a dissociação entre um e outro.
Na outra latitude e longitude que se crê o umbigo da civilização européia, Bedeutung, significado, guarda em si Deutung, interpretação. Não existe significado sem interpretação, e os krahó interpretam a morte como período pré-definido de silêncio e reclusão social. Durante meses ninguém corta cabelo, faz a barba, depila ou pinta o corpo. Depois desse período celebra-se um ritual pós-funerário e não se fala mais no nome do morto.
Morrer de corpo e alma, completamente, disse o poeta, é morrer no próprio nome.
Morrer psicologicamente na vida do narrador é condição necessária para nascer na narrativa, se bem entendi a mensagem de João Gabriel de Lima em sua novela O Burlador de Sevilha.
Então morramos muitas vezes agora e sempre, e das cinzas dos mortos queridos se faça nova carne, como sabiamente crêem os marubo do Amazonas sudocidental.

(dedicado ao tio do Roger)

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Quem gosta de mergulhar aí, borbulhe com as sereias narcosadas e faça blogglub. Eu não me adaptei aos pulmões externos, na apnéia mesmo adoro aquelas paisagens de sereia: Ilha Grande, Abrolhos... breve farei minha temporada de água doce. Tomo licença a Iemanjá pra visitar Yara.


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20.5.03


Da desconstrução à reconstrução da tradução - transcriação, como melhor exprimiram os concretistas.

Übersätzung
über
die Sätze
Sie sitzen über die Sätze
Sätzen Sie über die Sitzen
Überatmen
oder zum Artzt gehen


Isso não faz o menor sentido, exceto pelo fato de que é quase um trava-línguas, vou dar pro Mathias ler. Ele tem Deutsch als Muttersprache mas faz troça da própria língua-mãe, fosse velha amiga. Ela é minha amiga só faz cinco anos mas tão íntima que sou puro despudor com os falsche Artikeln. Os masculinos, femininos e neutros todinhos trocados. Atenção à mesa, à francesa em alemão temos à direita die Gabel (o feminino garfo), à esquerda das Messer (a neutra faca) e ao alto der Löffel (a máscula colher - hã??? tão redonda e côncava, de onde os alemães tiraram que colher é masculino???)

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O pedido do Jean Boechat me inspirou a tecer umas considerações sobre Übersätzung.
Vamos desconstruir a palavra Tradução em alemão.
Über=sobre
Sätze=frases
ung=sufixo substantivador (e afeminador: die Austellung, a exposição; die Darstellung, a representação, die Übersätzung)
Assim sendo, no meu silogismo transliteral, a tradução é um sobrefraseado. É construir frase nova, no idioma a comunicar, sobre a velha frase alicerce da língua original. Tenho dito.

ps. essas minhas transcriações do alemão não fazem o menor sentido para quem é filho dessa língua, quero dizer, tem Deutsch als Muttersprache (alemão como língua materna). Quem aprende depois pratica Deutsch als Fremdsprache (alemão como língua estranha/inimiga). Pra mim, invento Deutsch als Freundsprache (alemão como língua amiga/enamorada).


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19.5.03


"Encontro pela vida milhões de corpos, desses milhões posso desejar centenas, dessas centenas amo apenas um" (Roland Barthes, Fragmentos de um Discurso Amoroso).
Voemos da França semiótica, monólogo romântico intelectualizado, para o Brasil antropológico, voz polifônica do coração: os índios krahó do Tocantins têm três tipos de "esposa". A oficial, a classificatória - aquela com o mesmo nome da mulher oficial - e a potencial - toda e qualquer mulher que inspire desejo. Em Parintins, terra dos sateré-mawé, fala-se em mulher e filhos arana (de relações extra-conjugais) e puraka (oficiais).

Entre os indígenas, disse Orlando Villas-Boas, não há espanto na beleza. E não há espanto moral, tampouco.

O um que eu amo sabe e aceita o desejo das centenas, com recíproca verdadeira. Respeito é a base do amor, se não o amor romântico de que fala Barthes, sim o amor que não é chama posto que imortal e para além dos corpos, tempos e espaços. In my solitude ich bin überhaupt nicht alleine. Na minha solitude não sou para nada sozinha. Mach´s gut in Deutschland, mein Lieblieb. Du fehlst mir, aber später.


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17.5.03


Depois de muito atrapalho, finalmente consegui conectar o velho monitor à nova CPU, porém, não estou conectada ainda. Sabe, gente, pra trabalhar sério precisa ter o sossego do lar. Não dá pra estudar etnologia com esses meninos jogando realidade virtual olhos adentro e joysticks afora. Sem falar na ciumenta da mulher fazendo um mis-en-scène nada básico junto ao caixa...
Anyway. Also. Allora. Então. Fui ao cinema sozinha pra ver Frida e - mais uma vez - não consegui. Cheguei no Unibanco Arteplex às oito pra sessão das nove e meia e já tava lotado, acreditam? Então peguei o Nelson Freire, não sem antes tomar um chopinho com os acepipes do Estação Bar (babe, Thomas, babe. Sorte sua que não sou feito essa mocinha escandalosamente ciumenta aqui ao lado... sorte minha que você é civilizadamente alemão e não vamos, creio, jamais dar xabu em ambientes públicos conectados à Web, isso gente é pior que dar xabu no Big Brother, sacomé, de link em link de repente até os etnólogos alemães tão sabendo disso).
Fechemos os parênteses, deixemos os dois brigando nos fundos, e vamos ao que interessa. O som e o intérprete Nelson Freire, que de menino prodígio passou a veículo puro da música, transubjetivo. Pois quando o sujeito piano não se deu com ele, a Heróica de Chopin saiu assim bem chocha. Foi bacana ver que gênios têm também seus dias de desglória. Foi interessante também descobrir que o segundo concerto de Rachmaninoff, aquele cujo terceiro movimento virou jingle da vodca Stolichnaya na virada dos 80 pros 90, tem um segundo movimento quase todo plagiado naquela melosa melodia "All by myself..." sabem? eu ouvi, achei familiar, e percebi o "All by myself, I wanna be all by myself" e, apesar do choque brega, achei tudo a ver com o que o Freire disse sobre o piano ser um instrumento da solidão - nem foram essas palavras, enfim, a (ego)trip é essa, no melhor sentido. E fica ainda melhor naquela valsa a quatro mãos do Rachmaninoff. Jotagê, vamos tocá-la um dia? Você lê e toca melhor que eu, no que farei um esforço.

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o dia tá lindo depois de uma noite linda e outra de eclipse no Ibirapuera. Preciso urgente ir à Sta. Ifigênia pra achar um conector do monitor e finalmente sair do cenozóico e poder usar meu novo Pentium 4... ciao, tschüss, adieu, bis dann, té mais...


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14.5.03


Quem me acompanha já ouviu falar na Boiúna. Googlando hoje achei a mais bela tradução, até agora por mim encontrada, dessa história de histórias serpenteadas. É o Ensaio sobre a Boiúna Luna, escrito por um moço da Unicamp com nome de evangelista, Lucas. E por falar em evangelho aqui colo meu
Evangelho da Boiúna segundo Patrícia Patrício

Erê Boiúna fala:
- Você, Patrícia, é cachoeira. Fala baixo, cachoeira.
Sou a cachoeira da fumaça mental que não me deixa dormir com o fluxo de consciência e inconsciência. Acordar (não dormir) e ver a luz pálida do dia úmido e viscoso feito muco que me invade poros e os olhos míopes e cansados. Ser hoje como se fosse ontem, ah! O negro/branco Uaicurapá, antes e depois da chuva, até a hora do perigo de jacaré e sucuri – tão temidos até mesmo pelos machos mateiros, pois esses bichos representam os grandes predadores amazônicos. Ser hoje como se fosse o outro sábado, quando a Amazônia para mim era um mistério que primeiro se revelou no amargor da tucumã, mais tarde no mastigar então doce. Salve Saramago, parafraseando sua Viagem a Portugal digo eu: a Amazônia, mais que Alfama, é um animal mitológico. Multipliquemos centenas, talvez milhares de vezes, o tamanho desse bicho mitológico no espaço-tempo. Boiúna se associa à Cobra Grande ou sucuri. A mais poderosa das serpentes, a que o homem não mata, e se mata não aparece outra maior. Acordei na madrugada tremendo de frio e medo. Louca de vontade de ir ao banheiro, doida de medo de encontrar cobra lá dentro. De
onde tirei isso? Talvez da mórbida descrição de Caiano [coordenador da Comissão Pastoral da Terra nas cercanias de Parintins]: a sucuri te enlaça e engole. A morte é por asfixia mas não por causa de um enforcamento – era o que eu antes pensava. Caiano conta que a vítima fica lá dentro dela, inteira e viva, e a monstra só termina a digestão quando o corpo engolido apodrece. Aí tem a piada infame do caboclo que jogou o porco, a sucuri não se satisfez, então mandou um cacho de banana, e ela inda faminta, tentou enganar com um banquinho e por último mandou o filho. Ia desistir da lida na pescaria [bela referência bíblica ao sacrifício de Abraão, que marca a passagem do homem caçador, nômade, para o homem agricultor, sedentário, e se bem entendo o discurso desses meninos que estudam a floresta, a idéia agora é misturar as duas tendências]. Desolado, o tal pescador da anedota de Caiano junta os pertences com a mulher para irem embora. Encontra a cobra de bucho cheio e, revoltado, tasca-lhe um tiro. Abre o bichão, carne farta para muitos meses, e encontra o filho sentado no banquinho comendo banana. Assim conta Caiano. Eu
não conto muito mais, só que acredito sim na força da sucuri, e a maior das serpentes é aquela dos medos interiores. Então respirei três vezes, apelei pra Santo Antônio, São Tomé (do Uaicurapá) e São Sebastião, ótimo protetor contra feras. Diz que São Sebastião resistiu aos leões antes de ser flechado – e mais uma vez resistiu às flechas. Rezei também uma ave-maria, afinal estávamos sob a luz da lua e Nossa Senhora da Conceição ou a mãe Yara nunca falham nessa hora. Já nem me lembro se consegui, sei que passou um bom tempo no escuro do banheiro. Sob os tênues raios do quarto crescente agradeci aos santos e mais ainda à grande boiúna, com perdão da redundância. Fiquei mal dormida, sim, mas vitoriosa com o poder aquático de Yara mãe encontrando a famosa serpente de fogo.


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Acabo de voltar de Floripa, num bate-volta que me deixou com gostinho de quero mais. Só deu pra comer pastel de camarão no box 32 e trazer a aromática aguardente de lá. Agora posso dizer: meu papi, Inaldo Sales Patrício, ist am besten, é a personalidade do ano no mundo da avicultura. Recebeu a homenagem ontem à noite na AveSui, feira latinoamericana de Aves e Suínos. No seu brevíssimo discurso ("depois de dois italianos falando quinze minutos o português vai respeitar os dois minutos previstos no programa"), em vez de ficar circulando o umbigo ele aproveitou a presença de autoridades - representante do Ministério da Agricultura, Secretário Estadual da Agricultura, deputado federal, prefeita - para lançar um "grito ao presidente Lula, meu conterrâneo: a melhor maneira de contribuir para o Fome Zero é reduzir os impostos do frango nosso de cada dia". O governo come 300 gramas de impostos a cada quilo de frango.
E eu preciso fazer uma dieta vegetariana de pelo menos três dias, porque no coquetel foi um tal de frango recheado com morcela, supremo de frango malaio (com manga), presuntos e salames e lombos... olhando bem pro meu umbigo vou contar: papi ofereceu o prêmio para "a jornalista mais bela do Brasil, depois de Ana Paula - a Padrão". Que responsa, hem? Dieta e natação já! preciso tirar o atraso! ui, cadê meus cremes? perua não, me cuido, sim.


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12.5.03


Tô adorando brincar de gato e rato com esse banner, é mesmo divertido, mas eu preciso trabalhar no conteúdo exclusivo do site, aqueles prometidos textos sobre a Amazônia para o Planeta Casa. Vcs já leram meu diário de bordo no Amazonas? Então leiam. Mas voltemos ao anúncio do banner. Escrevi o texto abaixo, citando nominalmente Waldemar Henrique e Annette Celine e, entrei em patnamazonia e pluf! apareceu o mesmo banner de novo. Então vejam por vcs mesmos, o link é para a Brana Records. Quem quiser me mandar de presente, puxa!, devolvo com uma linda cesta do Urucureá, tá beleza?

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Gente, aconteceu uma coisa incrível (quer dizer, nem tanto, graças a Blogger+Google). Fiz o post musical hoje de manhã e três minutos depois apareceu um banner mais ou menos assim: Annette Celine, cantigas de Waldemar Henrique, Amazônia. O pianista se chama Christopher Gould - seria parente do fantástico Glenn que tocou de forma única a sonata ao luar? e as canções incluem Uirapuru, um Côco indígena, um Maracatu, peças do Villa e outras belezas. O sample que acabo de ouvir na caixa de som da Lindalva traz o Nepomuceno, uma jóia preciosa na sua simplicidade de arpejos que logo quero também tocar. O problema é que o disco sai por 15 dólares e eu, uma quase desempregada, não vou torrar cinqüenta contos nisso. Se alguém quiser me presentear ou baixar dum MP3 por aí, agradeço. Mas preciso do disquinho materialmente, porque nesses temas musicais sou quase analógica (aliás, gosto mesmo da obra de arte antes de sua reprodutibilidade técnica, e quero achar alguma boa mezzo pra cantar comigo - porque não consigo tocar e cantar ao mesmo tempo...)

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you must take the A train... "quebrei um paradigma" e hoje de manhã tasquei Ella no CDplayer. Acho que jazz orna mais com a noite, mas Ella é tão solar que não deu pra resistir. Depois daquela linda ária da Variações Goldberg (ainda em breve vou tocá-la), tudo a ver Heaven, I´m in heaven, and my heart beats so that I can´t hardly speak... and I seem to find the happiness I seek when we are together dancing cheek to cheek. Gute schöne Reise, mein lieblieb.
Em tempo: quem quebrou um paradigma em termos musicais foi Herr Schönberg, que criou o sistema dodecafônico inspirando-se na ditadura do proletariado. Tanto uma quanto outro não deram certo, funcionaram só nos circuitos intelectualizados, porque desarmônicos com a biopsicologia humana. Só a mente aceita como belos acordes de segundas aumentadas com trítonos. O estribo, o martelo e o coração ficam vibrando em descompasso.


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7.5.03


ai minha faringe! acabei de desmarcar um cinema. Não é pra ver Frida mesmo, mais uma vez. Da outra ocasião era o trânsito que me impediu de chegar na sessão das sete e meia. Agora é o outro tempo, das Wetter, que um dia faz trinta graus e no outro quinze e aí não tem vias aéreas superiores que resistam. Aguentei bravamente durante semanas, mas veio o feriado cheio de compromissos sociais e de trabalho e o corpo reclamou: feriado é pra descansar, não pra ficar com agenda cheia. Agora preciso de repouso... nada de fazer frila no fim de semana!!!


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6.5.03


bom dia a todos, Guten Morgen an alle. Hoje acordei com um pensamento: pulei do abismo sem pára-quedas e agora nada me resta a não ser voar. Como traduzir isso pro alemão? Ich bin von einem Berg geflogen?


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2.5.03


ai meu santantonio! o menino aqui do lado na LAN House diz que acabou de matar cinco soldados com um pente. E eu, na minha santa inguinorança:
- pente de pentear cabelo?
- não, pente... sei lá como é o nome... pente...
- ah, pente da arma? com bala?
- isso mesmo.
- tô com medo de vc, fica longe de mim, vai que vc me acerta uma bala perdida...

Promessa é dívida: filho meu tá proibido de ir jogar jogos violentos em LAN House. Quer botar a agressividade pra fora, então vai fazer luta marcial. Ou então ganhar seu dinheiro pra torrar nessas babaquices. Antigamente fliperama era proibido porque "viciava", porque tava associado com a maconha. Pois esse troço, não preciso ler nem estudar pra saber, é perigosísísíssssssssssimo. Agora o menino matou um com uma granada - e eu comento, um com uma granada é ruim (e penso, seu imbecil. Vou ligar pra imbecil da tua mãe). Pronto. Minha catarse tá feita, bem mais pacificamente que os coleguinhas aqui ao lado, ou não?
Agora tô inteindeindo. Os meninos jogam entre si. Um comentou: eu te matei, caralho. Ah, então o negócio não é tão ruim. Eles tão só fazendo catarse. Esse troço de LAN House é a maconha do século xxi. Promessa abolida. Filho meu faz o que quiser, desde que com consciência.


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