Pat na Amazônia

28.4.03


Não sabia, mas acabo de passar este endereço de Pat na Amazônia pro escritor Sinval Medina e, quando insisti que não botei dois "as" (não é patnaamazonia e sim patnamazonia.blogspot.com) ele me contou que Patna é um nome hindu muito importante para a literatura, graças ao romance de Conrad, Lord Jim. Preciso lê-lo. Enquanto isso sapeio no Google e aguardo comentários do experiente Sinval e do jovem João Gabriel, meu amigo de profissão de fé, meu quase-irmão muito camarada. Ah, sim, e faço duas materinhas pra fechar a missão na revista. E o feriado vai ser muito bom!

Comments:


[4/27/2003 11:44:46 PM | Patricia Patricio]
Um poema de autor anônimo, que meu pai sempre recita e ouvia na Escola Agrotécnica Federal de Barreiros, PE, e tem tudo a ver com Pat na Amazônia e a bandeira do desenvolvimento sustentável. Um belo poema de rimas ricas e construído em diálogo. Dá indícios de ter a primeira e a última estrofe de um "soneto" de versos livres. Eu e mami não conseguimos matar a charada, ela apostou em Casemiro de Abreu mas eu voto em um poeta popular esquecido pelo tempo, perdido no espaço, resgatado neste ciberespaço:

- As árvores não têm alma
E esta árvore me serve de empecilho
Pois é preciso cortá-la, meu filho
Para que eu tenha uma velhice calma.

- Meu pai, não vês que em tudo existe o seu brilho?
Deus pôs alma nos cedros e nos junquilhos
E esta árvore, meu pai, tem a minha alma.

A este respondo com outro, feito na madrugada de 26 de abril:

Por fora casca amargosa
Por dentro cerne macio
Debruçada sempre ao rio
Em sua corola rosa

Por fora casca espinhosa
Por dentro cerne macio
Debruçada sempre ao rio
P´la margem terceira da rosa

Por fora bela viola
Por dentro piano pavio
E navegando assobio
Por essa água travosa.

E quem dirá
Se eu vou chegar
A Belém do Pará?

Aquele que tudo isso sabe
Aquele que a floresta abre
Aquele que viu o Boitatá.
[edit]
[4/27/2003 11:17:38 PM | Patricia Patricio]
estou de novo no Café Paraíso, quero dizer, no Space Web Cybercafé. Ju me visitou neste blog, não deixou comments, mas lá em casa ela se espantou com o telhado de vidro que botei nesse espaço, e acho que gostou do cardápio natureba - ih, esqueci de trazer a receita do arroz no abacaxi!!! amanhã eu boto no ar como fiz o arroz e o cardápio de hoje. Semana que vem tem cordeiro com pinhão (que tal a farofa??? quase que o ponto não saía mas até que não ficou mal, ou???) Enquanto isso vcs podem sapear a Claudia Cozinha. Pena que não consegui encontrar no sistema de busca as receitas de farofa com pinhão e de caril de legumes com quibe (troquei a carne moída por proteína texturizada de soja).
Heute habe ich gekocht und Freunden zu uns eingeladen. Wir haben Kopfsalat, Reis, Gemüse mit Curry und Soya... ganz gesündes Essen. Aber, glaube ich, dass hat allen gut geschmäckt.
[edit]

[4/26/2003 3:55:34 PM | Patricia Patricio]
tchau, gente, que vou fazer unha e depilação (a lua minguou lindamente às 4h35, a dez graus sul do sol, enquanto eu moldava a massa do pão indiano - será que por isso ele secou e agora parece uma broa? lua de pão é cheia, né?)
Depois da sessão patricinha vou pra massagem reikiana, ligo pra Ju pra ver se a gente vai no sarau do Chagall na rua das Barcas.
Schöne Wochenende an alle, bom finde a todos.
Salve sucuri psicodélica. Saudades, Buiúna, sonhei com você no sábado de aleluia e já no sonho levava o sonho sonhado pra terapia.
[edit]

[4/26/2003 2:52:00 PM | Patricia Patricio]
Estou sentada ao lado do meu vizinho de porta, o kayke, que dá oito, segundo ele, um número legal pra negócios, porque representa o infinito. Ele é dono de um cybercafé com CPUs de luz neon azul, e em 30 dias eles acumularam 600 clientes. Meu número de cadastro é o 599, pra ser exata, respeitando a deontologia jornalística. 599 noves fora cinco.
- E o cinco, kayke?
- É legal pra grana, como o três e o um. (A-hã, legal pra eu gastar grana...) O número da casa é um, tem uma cadeira de plástico branca pro anjo da guarda, o caixa fica no guá da prosperidade (é mesmo? me parece o dos relacionamentos...) e tá rolando um rockão legal pra desconcentrar. As paredes são verdes e estimulam a criatividade despirocada -e as verdinhas, porque vem um monte de gringo neste cybercafé. Uma dúzia deles tá no primeiro andar, uns pagam em dólar, a maioria em euros.
-Quanto dá dez euros, vizinha?
- Trintetrês reais.
- E o que é essa espiral laranja, um conduíte ou uma espiral xamânica? kayke diz que é o DNA da CPU. O décor lembra os navajos, segundo o moço, e ele diz que aqui na rede do espaço (Space Web) rola um reiki hi-tech. A-hã... achei alguém mais insone e doido que eu, finalmente.
Só estou aqui e agora porque meu pai me deu um super Pentium 4 que não se compatibilizou com o conector do meu jurássico - mesozóico? pré-mesozóico? - monitor Five Star do meu ex-pentium 2. Aí vim aqui à procura de um adaptador pro conector e encontrei meu vizinho de porta. Ele é um caboclo falador, e até hoje, todas as poucas vezes que nos encontramos no hall do elevador falamos só bom dia. Depois de muitas muitas frases ele me ofereceu sua rede espacial como "burô digital". Não entendi direito como isso funciona, sabe, gente, sou do tempo da lauda, do papel, computador pra mim só acelera a escrevinhação e a pesquisa e a comunicação, não aprecio - porque não sei manejar - pirotecnias tecnológicas. Ai, cansei, tá uma tarde linda, meu pão indiano tá lá em casa parecendo uma broa de arroz. Ele precisa ser acompanhado por um café, e prepare-se, Lu, que kayke está abrindo agorinha mesmo o Café Paraíso!!! Ele adorou a idéia dos blogs de bairro, e é uma figura mutcholoca. A diferença entre o Café Pinheiros e o Café Paraíso é que este último existe na sua plena concretude. Anotem o endereço: Tutóia, 451, Paraíso. O tempo e o espaço não importam, kayke? Claro que sim, só que eles são múltiplos e relativos. Quem quiser visitar a gente de carne e osso passe por aqui, das 9 às 12h pagam-se cinco reais no cybercafé, durante a madrugada toda a cyberbalada sai por doze contos. Deixem seus filhos com a babá haiteque, essa figuritcha chamada kayke.
[edit]

[4/24/2003 7:38:38 PM | Patricia Patricio]
Querida Gabi, desculpe lá, vc nem tem tempo de atender ao telefone, nem de responder emails, muito menos de entrar nesse blog. Mas lá vai meu comentário mesmo assim. Depois, a qualquer dia ou hora, espero sua réplica. O fato é que acabei de entrar no site da Super e cansar de ver um amontoado - lindo, animado, com bela foto de fundo - de números sobre os diversos biomas brasileiros. Restam 85% da Amazônia, maior banco genético do Planeta... Restam 85% do Pantanal, maior superfície inundável do planeta...
quando sonhei com a abertura do meu texto sobre a Amazônia ele fugia completamente dos superlativos, os superlativos me intoxicam. Meu pensamento é um pouquinho mais além do superlativo, sou bruxa da natureza, da floresta, do mar e da montanha.
Aguardo sua visita, ich wunsche die kleine Vero eine Gute Besserung, e boa noite pra todos nós. Que dia é hoje no calendário maia? No calendário lunar são que luas? minguantes, boas pra dietas e depilações? ai, preciso de uma massagem e de um banho no rio Uaicurapá pra curar minha pá das costas, tão dolorida. Falei ontem com Tintin e ele me deixou seca de boa inveja:
- Acabei de chegar do Uaicurapá. Lembramos muito de você.
- Quem tava lá?
- Nós do Barco Educador.
Saudades, Jenice, Guerreiro (e o pajé também apareceu outra vez, esqueci o nome do tal cipó que não quero nem ver de perto), grande Rubão. beijão pra todos.
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27.4.03


Um poema de autor anônimo, que meu pai sempre recita e ouvia na Escola Agrotécnica Federal de Barreiros, PE, e tem tudo a ver com Pat na Amazônia e a bandeira do desenvolvimento sustentável. Um belo poema de rimas ricas e construído em diálogo. Dá indícios de ter a primeira e a última estrofe de um "soneto" de versos livres. Eu e mami não conseguimos matar a charada, ela apostou em Casemiro de Abreu mas eu voto em um poeta popular esquecido pelo tempo, perdido no espaço, resgatado neste ciberespaço:

- As árvores não têm alma
E esta árvore me serve de empecilho
Pois é preciso cortá-la, meu filho
Para que eu tenha uma velhice calma.

- Meu pai, não vês que em tudo existe o seu brilho?
Deus pôs alma nos cedros e nos junquilhos
E esta árvore, meu pai, tem a minha alma.


A este respondo com outro, feito na madrugada de 26 de abril:

Por fora casca amargosa
Por dentro cerne macio
Debruçada sempre ao rio
Em sua corola rosa

Por fora casca espinhosa
Por dentro cerne macio
Debruçada sempre ao rio
P´la margem terceira da rosa

Por fora bela viola
Por dentro piano pavio
E navegando assobio
Por essa água travosa.

E quem dirá
Se eu vou chegar
A Belém do Pará?

Aquele que tudo isso sabe
Aquele que a floresta abre
Aquele que viu o Boitatá.

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estou de novo no Café Paraíso, quero dizer, no Space Web Cybercafé. Ju me visitou neste blog, não deixou comments, mas lá em casa ela se espantou com o telhado de vidro que botei nesse espaço, e acho que gostou do cardápio natureba - ih, esqueci de trazer a receita do arroz no abacaxi!!! amanhã eu boto no ar como fiz o arroz e o cardápio de hoje. Semana que vem tem cordeiro com pinhão (que tal a farofa??? quase que o ponto não saía mas até que não ficou mal, ou???) Enquanto isso vcs podem sapear a Claudia Cozinha. Pena que não consegui encontrar no sistema de busca as receitas de farofa com pinhão e de caril de legumes com quibe (troquei a carne moída por proteína texturizada de soja).
Heute habe ich gekocht und Freunden zu uns eingeladen. Wir haben Kopfsalat, Reis, Gemüse mit Curry und Soya... ganz gesündes Essen. Aber, glaube ich, dass hat allen gut geschmäckt.


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26.4.03


tchau, gente, que vou fazer unha e depilação (a lua minguou lindamente às 4h35, a dez graus sul do sol, enquanto eu moldava a massa do pão indiano - será que por isso ele secou e agora parece uma broa? lua de pão é cheia, né?)
Depois da sessão patricinha vou pra massagem reikiana, ligo pra Ju pra ver se a gente vai no sarau do Chagall na rua das Barcas.
Schöne Wochenende an alle, bom finde a todos.
Salve sucuri psicodélica. Saudades, Buiúna, sonhei com você no sábado de aleluia e já no sonho levava o sonho sonhado pra terapia.

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Estou sentada ao lado do meu vizinho de porta, o kayke, que dá oito, segundo ele, um número legal pra negócios, porque representa o infinito. Ele é dono de um cybercafé com CPUs de luz neon azul, e em 30 dias eles acumularam 600 clientes. Meu número de cadastro é o 599, pra ser exata, respeitando a deontologia jornalística. 599 noves fora cinco.
- E o cinco, kayke?
- É legal pra grana, como o três e o um. (A-hã, legal pra eu gastar grana...) O número da casa é um, tem uma cadeira de plástico branca pro anjo da guarda, o caixa fica no guá da prosperidade (é mesmo? me parece o dos relacionamentos...) e tá rolando um rockão legal pra desconcentrar. As paredes são verdes e estimulam a criatividade despirocada -e as verdinhas, porque vem um monte de gringo neste cybercafé. Uma dúzia deles tá no primeiro andar, uns pagam em dólar, a maioria em euros.
-Quanto dá dez euros, vizinha?
- Trintetrês reais.
- E o que é essa espiral laranja, um conduíte ou uma espiral xamânica? kayke diz que é o DNA da CPU. O décor lembra os navajos, segundo o moço, e ele diz que aqui na rede do espaço (Space Web) rola um reiki hi-tech. A-hã... achei alguém mais insone e doido que eu, finalmente.
Só estou aqui e agora porque meu pai me deu um super Pentium 4 que não se compatibilizou com o conector do meu jurássico - mesozóico? pré-mesozóico? - monitor Five Star do meu ex-pentium 2. Aí vim aqui à procura de um adaptador pro conector e encontrei meu vizinho de porta. Ele é um caboclo falador, e até hoje, todas as poucas vezes que nos encontramos no hall do elevador falamos só bom dia. Depois de muitas muitas frases ele me ofereceu sua rede espacial como "burô digital". Não entendi direito como isso funciona, sabe, gente, sou do tempo da lauda, do papel, computador pra mim só acelera a escrevinhação e a pesquisa e a comunicação, não aprecio - porque não sei manejar - pirotecnias tecnológicas. Ai, cansei, tá uma tarde linda, meu pão indiano tá lá em casa parecendo uma broa de arroz. Ele precisa ser acompanhado por um café, e prepare-se, Lu, que kayke está abrindo agorinha mesmo o Café Paraíso!!! Ele adorou a idéia dos blogs de bairro, e é uma figura mutcholoca. A diferença entre o Café Pinheiros e o Café Paraíso é que este último existe na sua plena concretude. Anotem o endereço: Tutóia, 451, Paraíso. O tempo e o espaço não importam, kayke? Claro que sim, só que eles são múltiplos e relativos. Quem quiser visitar a gente de carne e osso passe por aqui, das 9 às 12h pagam-se cinco reais no cybercafé, durante a madrugada toda a cyberbalada sai por doze contos. Deixem seus filhos com a babá haiteque, essa figuritcha chamada kayke.


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24.4.03


Querida Gabi, desculpe lá, vc nem tem tempo de atender ao telefone, nem de responder emails, muito menos de entrar nesse blog. Mas lá vai meu comentário mesmo assim. Depois, a qualquer dia ou hora, espero sua réplica. O fato é que acabei de entrar no site da Super e cansar de ver um amontoado - lindo, animado, com bela foto de fundo - de números sobre os diversos biomas brasileiros. Restam 85% da Amazônia, maior banco genético do Planeta... Restam 85% do Pantanal, maior superfície inundável do planeta...
quando sonhei com a abertura do meu texto sobre a Amazônia ele fugia completamente dos superlativos, os superlativos me intoxicam. Meu pensamento é um pouquinho mais além do superlativo, sou bruxa da natureza, da floresta, do mar e da montanha.
Aguardo sua visita, ich wunsche die kleine Vero eine Gute Besserung, e boa noite pra todos nós. Que dia é hoje no calendário maia? No calendário lunar são que luas? minguantes, boas pra dietas e depilações? ai, preciso de uma massagem e de um banho no rio Uaicurapá pra curar minha pá das costas, tão dolorida. Falei ontem com Tintin e ele me deixou seca de boa inveja:
- Acabei de chegar do Uaicurapá. Lembramos muito de você.
- Quem tava lá?
- Nós do Barco Educador.
Saudades, Jenice, Guerreiro (e o pajé também apareceu outra vez, esqueci o nome do tal cipó que não quero nem ver de perto), grande Rubão. beijão pra todos.

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tô no telefone com minha mentora blogueira, Luciana Benatti, garçonete e faz-tudo do Café Pinheiros. Pronto, desliguei. Ela tá fazendo um ótimo blog de trabalho, que é o Blog Casa Cor, criado por ela para a revista Casa Claudia . Hoje à noite Lu vai falar para meus queridos calouros da ECA. Meninos, saiam da breja, porque o papo hoje vai ser bom! (mas vou tentar chegar antes pra uma cervejinha de Petrópolis, porque tô cuma dor nas costas danada - ih, o que o alho tem a ver com o bugalho?)
olha, gente, o comments do globo.com tá dando pau. Agradeço aqui, então, as visitas de Chico e mami. Pedro e Marcinha se emocionaram com suas palavras literárias: "Olha que mãe, só podia sair uma Patrícia Patrício", babou Marcinha. Ah, a mãe dela também é legal, vamos lá, todas as mães são lindas e maravilhosas! Este é um post pré-dia das mães, porque todo dia é dia de índio, mãe, pai, irmão, filho...


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23.4.03


esse post aí abaixo é uma homenagem indireta ao professor Jair Borin, que ontem deixou o mundo dos vivos.

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Aos mestres, com carinho

alunos nunca esquecem seus mestres...
No começo do curso que estou dando na ECA repeti a frase de um querido professor de teoria da comunicação: "se vocês não gostarem da disciplina não culpem as teorias da comunicação, culpem o professor". E é claro que adoramos Mauro Wilton de Souza, agenda setting (o funcionalismo não!) e a semiologia (Carlos Fernando, jornalista que há dois anos encontrei no Valor Econômico, bem sintetizou: sintagma é Big Mac e paradigmas são dois hambúrgeres, alface, queijo, molho especial...).
Cada dia que passa penso e recordo como cada ensinamento foi fundamental para que eu esteja onde estou. Da alfabetização paulofreiriana na lousinha azul com os desenhos e curtas palavras riscadas por minha mãe. Do CHONP, sigla sintética da química orgânica, mostrada por meu pai na varanda dos nove anos. Das probabilísticas genéticas e às piadas da Alzira, do Jornal do Egito na aula da Regina, da matemática filosófica do Nelsinho, da geopolítica local e global do Celsão, das análises sintáticas (muito úteis para as declinações do alemão) e conjugações estruturais do Zé Tomás (e o diário obrigatório, exercício fundamental para a fluidez necessária no jornalismo)... e os estudos do meio, e a riqueza sócio-cultural da vivência de estudar na escola pública, com iguais e diferentes -mas nem tanto - no mesmo espaço. Sinto-me privilegiada, porque dos meus dezoito anos de estudo formal, que em breve passarão os vinte, já quinze foram na escola pública. Dos três de Anglo ficaram as aulas de história saborosas narrativas do Gian, o "química ajuda a dona de casa" do saudoso Yazbek - sempre que fervo água pro macarrão sem sal nem óleo o mestre revive na panela - as previsões sobre o pan-islamismo na aula de geopolítica (ah, mil perdões, esqueci o nome dela??? alguém vai aparecer aqui pra me lembrar?) As redações do Júnior, preparo certo pro vestibular. As pirações do Walter e o escrever é desvendar o mundo. O einsteniano Francis que dava aula de filosofia pura da matemática, o infinito e os sistemas complexos. Eu não odeio química, só tinha um pouco de dificuldade em física, mas gostava da óptica e da acústica porque tão ligadas aos sentidos.
Sinto-me na obrigação de devolver à sociedade tudo aquilo que ela me proporcionou - ou pelo menos a minha interpretação dos conhecimentos que ela me impregnou. Espero cumprir bem esse dever, vou trabalhar duro pra isso.
O tema do meu doutorado continua a ser uma reportagem onde tentarei mostrar como se aplica a proposta da transubjetividade, que levantei no mestrado. Colegas que leram minha dissertação comentam: "bacana sua idéia, mas como ela se dá na prática?" Tentarei responder essa questão na reportagem-ensaio sobre a Amazônia - ia ser sobre Angola, mas esse projeto vai ficar pro pós-doutorado, livre-docência, qualquer coisa dessas... pois é, estou ensaiando minha estréia no time dos mestres.
Encaminhada pela grande mestra e orientadora, professora-mãe, como se diz lá na Alemanha, a personagem de ópera wagneriana Cremilda (Cremhilde) Medina. Com os apoios e apupos das realidades e ficções imagéticas de Boris Kossoy, entre outros queridos e competentes e originais mestres. Maria Cristina Cacciamali, Maria Cecília Sanchez Teixeira, Nicolau Sevcenko, Manuel Chaparro, Norval Baitello (falta aprofundar o contato) und so weit.
Peri, você dizia que eu sabia muita biologia pra ser jornalista. E agora, o que acha? eu acho que estou no caminho certo.


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22.4.03


não ia comentar, mas vou. RPT publica um texto de puro delírio nas costas da "maior semanal do país".
Delírio não no sentido libertador do termo, no sentido de escrever o que quero porque posso. Liberdade de expressão, sabe, gente? Mas aquilo não é um blog. É uma revista lida por milhões de pessoas, e se elas lerem nas entrelinhas verão que o moço não gastou neurônios pra articular pensamentos. A mim me acusam de estar alucinada pelo chá do pajé. A ele, publicam e aplaudem. Por isso tô fora dessa selva. A minha é outra.

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Meu feriado foi ótimo, com chuva e tudo. Die Feiertage waren super, wegen den Regen. É gostoso fazer a sesta ao som do tap-tap-tap nas folhas de embaúba, taioba e flamboiã que adornaram as duas janelas do meu quarto. Uma pousada simpática em Juqueí, de ótima relação custo-benefício, prova que no turismo negócio familiar dá muito certo. Regina, João, Aline e Andréa recebem bem, como toda família de bem brasileira. A comida é caseira, gostosa, e está incluída nos 80 reais da diária. Tudo bem, já fiquei no luxo do Juquehy Praia (thanks to my husband´s job), bela arquitetura, cardápio primoroso, piscinas fenomenais, luxo só, mas aquela coisa muito profissional demais. E gostoso de sair de casa é sentir-se também em casa fora dela. E dar-se ao luxo de um almoço carésimo no Manacá porque a diária da pousada permite a extravagância: antepasto com pãezinhos assados na hora e uma divina ricota embebida no pesto, principal pra mim foi linguado com risoto de agrião, para Thomas um peixe com lulas e camarões, e a sobremesa que quero ensaiar em casa, uma musse de queijo branco recheada com doce cremoso de goiaba (acho que vou tentar com acerola!). Voltamos da "comelata", como diz o escritor cubano Reinaldo Montero, e encontramos o pobre corsinha 97 rodeado de BMWs, Audis, Xantias, Jeeps e outros carrões de pedigree.
Como é bom saber curtir a vida. Viva o corsinha 97, viva a pousadinha de Juqueí, viva o Thomas, viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu.


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17.4.03


Ontem fui num concerto maravilhoso, pelo aniversário da revista Bons Fluidos. E o melhor foi que encontrei meu querido amigo de infância Rodrigo Poppi de Carvalho, maestro residente em Viena e que acaba de desembarcar nas terras brasílicas. Que bela surpresa. Ouvir Tom e Vinicius pelas vozes de Celine Imbert, Mônica Salmaso (que entrou seguindo a afinação da música anterior, só na memória, poderosa!), Tetê Spíndola, Ná Ozzetti e Vânia Bastos.
Das war ein super Konzert - Lieder von Tom Jobim und Vinicius de Moraes mit Jazz Sinfônica!
E foi muito especial ouvir um concerto sentada ao lado de quem espiava as cadências na prova de harmonia, um amigo que não encontrava há um ano. Em abril passado vi Rodrigo pedindo às cordas um som mais seco no Municipal, que sinestésico rapaz. Era um dos selecionados para um concurso internacional de jovens regentes. Em breve Rodrigo vai para um masterclass no Canadá - só ele e mais sete colegas.
Eram ótimas as carinhas que ele fazia diante dos arranjos e dos belos solos (Cássia arrasou na flauta, lá escondidinha no fundo do palco). Clímax número um foi o arranjo de "As praias desertas continuam esperando por nós dois...", parecia Ravel com aquela harpa lânguida. Clímax número dois, a penúltima peça, "Canta mais", que não conhecíamos, com arpejos totalmente bachianos.
Já perto da coda, em vez de um semitom um tom inteiro transformou o tom maior num modo mixolídio - aquele das escalas nordestinas, tipo Asa Branca, sabem? Quando a música acabou cutuquei Rodrigo:
- Você viu o que aconteceu?
- Não entendi.
- Um tom inteiro entre a penúltima e última nota, é mixolídio?
Ele não lembrava. Mas nunca esqueci a aula de modos gregos - tinha só nove anos. (Rodrigo sempre foi bom de harmonia e contraponto, fã de Brahms, eu apaixonada pelos modos gregos, Satie, Ravel e Debussy)
Não esqueci a aula de modos gregos e também não esqueci a tarde depois da aula de estética/história da arte, quando conversávamos sobre um fá sustenido no fagote e tive uma linda visão de fogos de artifício que certamente aparecerá na coda da minha vida.
Isso lá pra daqui uns sessenta anos...
Estou feliz, a tarde é linda, o trânsito sei lá, paciência, a geladeira cheia de legumes e saladas (Thomas, vamos fazer uma janta saudável!)
Ah, hoje almocei com meus queridos amigos Tauha, Ju, Pat e Gabi - saúde pra Vero! estamos torcendo por vocês!
Boa Páscoa a todos, aproveitem a vida porque as praias desertas continuam esperando, por enquanto.


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16.4.03


tchau que eu vou pro Café Pinheiros

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não posso crer! a frase do Tintin (não aquela que eu citei há um par de horas ainda hoje) abriu a matéria. Ele pede acesso à tecnologia. Internet livre e rápida para todos, do Acre ao Pará, do Oiapoque ao Chuí, do Alasca ao Quirguistão, passando pelo Burundi e por Nauru.

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não podia deixar de comentar a chamada da Folha de S.Paulo com a bela paráfrase de Lula, dizendo que no BNDES não vai ter lugar pro amigo do rei. Só um presidente pernambucano e dionisíaco para citar Manuel Bandeira. E eu ando muito cantando uma melodia modal que inventei pra minha paráfrase pessoal do mesmo poema do querido poeta da rua da União:
"Eu vou-me embora pra Pasárgada porque lá sou amiga do rei, terei o homem que quero na cama que escolherei" (ou na rede...)

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sou filha de Obá, não devo e não temo. O dia está lindo e agora preciso terminar um texto, porque, afinal, vou viajar no feriado. Cito aqui o grande Tintin (vc precisa me visitar aqui qdo vier da floresta!!!): "É preciso dar esse pulo de qualidade, do trabalho com lazer, sem passar pela indústria e pelo operário-padrão". Tem um blog por aí, se não me engano se chama trabalhosujo, que fala bem dessa atitude corajosa e libertária. Pedir demissão e melhorar a vida, mesmo que com menos dinheiro no bolso e nenhuma segurança na cabeça.
Como bem diz o poeta Elomar: "Apois pro cantador e violeiro só hai treis coisa nesse mundo vão: amor, furria, viola, nunca dinheiro; viola, furria, amor dinheiro não..."


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15.4.03


Hallo ihr Leute, jetzt muss ich sagen warum ich Wasserfall in Amazonia heisse. Die Leute da sagen, dass wenn man neben einem Cachoeira (Wasserfall) geboren ist, spricht zu laut. Ich spreche laut, deshalb heisse ich Cachoeira. Mulungu ist ein Baum von Bombataceae Familie (versuchen Bücher über Amazonien Pflanzen! kann nicht alles auf Deutsch beschreiben...) Ich heisse gerade Pat Cachoeira Mulungu... Das bin ich und nicht so verrückt.
É gente, prometi ontem contar o porquê do apelido Cachoeira, é uma historinha breve. Na Amazônia a gente fala baixinho, quando alguém se exalta nos decibéis vem a pergunta:
- Você nasceu junto da cachoeira pra falar tão alto?
É que o referencial de barulho por lá não é turbina de avião, nem buzina de caminhão. Barulho é o da cachoeira, coisa rara - tem em Presidente Figueiredo e em uns poucos outros lugares que não conheço. Então sou Cachoeira. Pat Cachoeira Mulungu.

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Quem me conhece me compara ao mulungu, quem não me conhece acho que sou feito a Lucélia Santos, que tomou o Daime e despirocou. Deixo claro que não tomei o Daime porque não preciso disso, meu estado de consciência se altera sem a necessidade de psicotrópicos. Deixo claro também que a decisão de largar (quase) tudo, leia-se um emprego estável, para fazer meu projeto de doutorado sobre a Amazônia, foi uma decisão amadurecida e longamente preparada. Uma decisão dos trinta.


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14.4.03


Sou bruxa? ou é bruxo quem reconhece o mulungu na bruxa?

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Deixa eu me apresentar. Patrícia Patrício começou um diário aos sete anos, na era do big bang informático. Em 1983 o computador rodava com fita cassete – alguém aí lembra disso? Então os diários não eram blogs, eram cadernos com capas de plástico e chaves (pra mãe não ler minhas maledicências). Aí dona Matilde descobriu o esconderijo da chave e Patrícia começou a escrever em código. Patrícia virou Zirtácai.
Salto no tempo-espaço. Patrícia faz trinta anos e vira Mulungu, “a segunda pioneira nos ambientes entropizados das várzeas amazônicas”. Isso quer dizer: quando um fazendeiro comete o crime de desmatar o beiradão pra criar gado ou plantar soja, ele detona o ambiente. A primeira árvore a reagir ao estrago é a embaúba. Ela cria sombra para que outras nasçam e regenerem a mata. A segunda é o mulungu, de nome próprio Erythrina mulungu, uma árvore da ordem das Malvales, segundo o dicionário Michaelis “de flores vistosas e grandes, actinomorfas e pentâmeras”. Quem já viu uma paineira sabe o que esse palavreado quer dizer: cinco pétalas em organização radial. O mulungu pertence à família Bombacaceae, subfamília Papilonaceae, ou seja, uma leguminosa “caracterizada pela corola dialiopétala em forma de borboleta, de onde lhes vem o nome”. Quem viu uma paineira como a que eu amei toda a infância, à beira da estrada a caminho de casa, sabe que as flores antes da paina são estreladas, com pétalas independentes (corola dialiopétala) e rosadas até esbranquecer no algodão da semente.
O mulungu, como suas primas paineira e corticeira, é uma planta que reúne no pistilo dois ou mais ovários, fértil a dizer chega. Quando sua semente hidrocórica cai no rio, propaga-se por quilômetros – isso é papo de engenheiro florestal, mas logo adianto que não entendo disso, só de ver ouvir cheirar gostar e contar, pois sou jornalista.
No livro A magia das ervas e seu axé aprendo que a casca do mulungu é usada pra acalmar o sistema nervoso e combater a insônia em forma de banho (porque seu gosto é amargo demais, e por isso mesmo bom pro fígado e pro baço). Detalhe: no ano passado sofri três semanas de insônia, fiz duas polissonografias, fiquei com o corpo cheio de eletrodos em duas noites a emaranhados incômodos de fios e o médico não acreditou no resultado caótico que viu. “Não condiz com seu histórico e seu estado clínico”. Até que caio na Amazônia e me descubro totalmente identificada com o Mulungu no tal barco Educador que merece sua doação (eu já fiz a minha, veja mais sobre o projeto maior ligado ao barco em www.oela.org.br).
Pronto, tô apresentada. Prazer, sou Pat Cachoeira Mulungu.
Agora vou nadar depois de dez dias, amanhã conto porque o apelido Cachoeira – mais um capítulo dessa viagem que mudou minha vida.


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11.4.03


bom, não importa o tempo-espaço, importa que pra vcs entenderem o motivo desse blog vcs precisam ler em www.casaclaudia.com.br meu diário de bordo na Amazônia. Foram 10 inesquecíveis e maravilhosos dias a bordo do Barco Educador (ih, quem vai me ensinar a fazer hiperlinks??? valeu Chico!!! era mais fácil que eu pensava) Enquanto isso, leiam meu diário de bordo no site de Casa Claudia e vejam o que é o Barco Educador - e participem da campanha - em www.oela.org.br

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gente, esse horário é de que fuso? 1h35 PM em LA, talvez. Aqui em SP são exatos 17h39, segundo meu computador. Horário de Manaus: 16h39, e em Rio Branco e Xapuri, 15h39.

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alô alô, tô começando meu diário de bordo na Amazônia (agora, por enquanto, só "sobre" a Amazônia)
hello, hello, here it is, my journal in Amazonia (by now, journal on Amazonia)
hallo, hallo, ihr Leute, hier ist mein Buch über Amazonia


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