Pat na Amazônia

29.6.05


Garantido bicampeão

No domingo, última noite de apresentação no bumbódromo, o Caprichoso rendeu homenagem a Chico Mendes, a Dorothy e a Galdino Pataxó. Trouxe a cúpula do Teatro Amazonas com nove músicos da orquestra de Manaus - me emocionei muito com o diálogo entre erudito e popular ali na arena.
Júnior Paulaim, estreante na apresentação do Caprichoso, ganhou por um décimo de seu irmão mais velho Israel. "Você foi melhor, mas meu boi ganhou", disse o primogênito.
Sim, o Garantido levou a taça mais uma vez. O pulsar cênico de alegorias e coreografias, sempre coeso, encheu os olhos no espetáculo. São os mesmos os recursos destinados aos dois bois: 3,5 milhões de reais. A moral da história a gente sabe: melhor gestão significa melhores resultados.


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25.6.05


Balões de São João

Um de verdade, voando por sobre a arena do Bumbódromo, trouxe mais uma surpresa do Garantido. O Caprichoso veio com aquele balão colorido dos folguedos, em tamanho gigante, amarrado em fileiras de bandeirinhas azuis, brancas e amarelas. "Este é o verdadeiro balão de São João", apregoava Júnior Paulaim, irmão do apresentador do boi contrário. Ora, espetáculos não se fazem de verdades assemelhadas, e sim de recriações que cativem os sentidos.
Neste ano, mais uma vez, impressiona a capacidade de imprimir ritmos ao espaço circular da arena desenvolvida pelo Garantido. O Caprichoso deixou a desejar no início da apresentação com as "figuras regionais" sem fantasias no arraial de São João montado na arena. Um jornalista chamou a atenção para o semblante consternado do governador Eduardo Braga em seu camarote. Talvez pensasse, cem mil reais liberados tão de pronto nas contas dos artistas pra isso? Eu pensei... A noite de 24 de junho terminou em anticlímax caprichoso, com um ritual arrastado que trouxe a cunhã-poranga Isabel Souza nos últimos minutos das 2h30 de apresentação. A homepage do provedor Jurupari, de onde escrevo, conta justamente o contrário. Quem escreveu sem dúvida é azul e branco.


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7.6.05


Este ano o Festival de Parintins foi antecipado para 24 a 26 de junho. Depois de quase um século celebrando o São Pedro com o bumbá, o Governo do Estado ganhou a parada e o festival passou para o último fim de semana de junho, portanto, terá datas móveis, como o carnaval.
O tempo profano, cronológico, da produção seriada no mundo pós-industrial, venceu o tempo sempiterno e sagrado da farra alforria também na Amazônia? Não, temos São João aí, gente! E eu crente que ia chegar com folga em Parintins, no dia 23, e será justo a véspera do bumbá!!! Soube hoje que para pegar a credencial, tenho que chegar no 22, terei que correr muito para isto ser possível. É reservar já o barco!

Inexoravelmente, a ética protestante do trabalho interfere na estética e na dialética da festa que move 40% do PIB parintinense em apenas três dias. Fazer o quê? Eis o pogreço da humanidade. PatCachoeiraMulungu tem que acordar pra isso, ora bolas. Vamos correr em frente que atrás vem gente, trem, avião, regatão, recreio, iate e tudo o mais.


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2.6.05


Star Watch

Bem às minhas costas uma constelação em forma de cruz, nesta noite clara de nuvens muito esparsas - "céu pedrento, ou vem chuva ou vem vento", dizia o avô da Alzira, minha primeira grande professora de Ciências.
Acontece que estas nuvens esparsas estão bem no rumo su-sueste (???), o da margens plácidas ou plásticas, a da modesta e pura nascente do Ipiranga, lá no Jardim Botânico. Que bálsamo e saudade ir lá, ver as estufas só de longe. Passear pelo jardim dos sentidos antigos, tato/olfato, que caricia tanto cegos quanto deficientes visuais, e imagino que também pessoas de razão e sensibilidade se agradem dele, ainda que de outra forma.
Meus óculos estão trocados, aumentou o astigmatismo e diminuiu a miopia no olho esquerdo. Será por isso o calo occipital? ou apenas tensão de quem passa horas lendo, estudando, de pescoço torto? E ainda fala ao telefone fazendo outras coisas (e sem o aparelhinho das moças do telemarketing).
Sei não. Só sei que a noite tá tão linda que as estrelas vêm brincar com o apito do guarda noturno. Às minhas costas o lago de Burle-Marx a quem direi adeus, brevemente. Norte à frente. E depois leste, sul, oeste... para onde mandar Aquele che muove il sole i altre stelle (Dante). Estou no Paraíso mas é Vila Mariana, vou pra um Paraíso que pode ser Inferno dependendo do referencial - amantes do silêncio puro e da erudição plena quiçá se encomodem (!) com a barulhada marujada batucada de sons acordes ritmos concordes discordes, espetáculo Caprichoso e mui Garantido.
Vou-me embora pra Pasárgada? Nada disso. Nem quero ser amiga do rei, muito menos ter quem queira na cama que já escolhi. De madeira manejada em Rondônia, desenhada pelo gaúcho-paulistano Fernando Jaeger e adquirida a um preço menor que as abusivas camas de imbuia ilegal que se vendem nas outrora populares ora "modernas e estilosas" lojas do comércio paulistano. Sampaulistas, pernambucanos, cariocas e baianos, mineiros e gaúchos, potiguares e goianos, brasileiros do mundo: acordai pra vida e durmam todos bem. Eu também. Já tomei um gole de Patricia, da mais pura água mineral maltada no Uruguay. Evoé, Sul. A bênção, Norte. Boa noite, Oeste. Bom dia, Leste. O último avião vai pousar já-já em Congonhas do Ex-Campo aterrado junto aos Bandeirantes.


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26.4.05


Serviço de utilidade pública

O trânsito na Tutóia anda caótico, e assim permanecerá pelos próximos dias, e a festa dos fón-fóns não tem hora pra acabar. Buzinas apitam, carros freiam e aceleram, motos tentam costurar por entre as frestas minúsculas dos automotivos acumulados. Tudo porque aquele buraco na esquina com a Manoel da Nóbrega está desde o feriado em conserto. Esse buraco é um furúnculo intermitente, doença crônica na malha viária da borda sudoeste do distrito Vila Mariana, esta fronteira que uns chamam de Ibirapuera, outros de Jardim Paulista - mas é não, isso só pra lá da Brigadeiro... E agora o mercado imobiliário se compraz em chamar Paraíso - Baixo Paraíso, gosto de dizer - e vender torres a um milhão de reais. Tudo vendido pra lavar dindim, ou especular, ninguém habitando. Quem quer pagar dois mil reals de condomínio? Dois ou três fulanos em vinte andares. Enquanto isso seis milhões sem teto.

E o buraco crônico na conversão de Tutóia à esquerda com Manuel? Bom, já veio Comgás, outra vez foi CET, e agora o caminhão tem a placa Regional Vila Mariana, que no tempo da Marta e acho que ainda agora deve se chamar oficialmente Subprefeitura. Cada vez consertam e tempos depois o buraco volta a dar problema. Não há um só remédio que resolva esse dodói? Será Bartira a chorar sob a terra que o padre Nóbrega tentou botar em catequese e deixou pra Anchieta? Será Tibiriçá mandando seu alô alô pros filhos mestiços da terra: deixem seus carros em casa, manos, deixem seus carros em casa, cunhãs, deixem seus carros em casa, velhos...


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21.4.05


Portabilidade na vida

Alguém sabe dizer o que isso significa? Portabilidade é "conceito da moda" aos vendedores de celulares, palmtops e outros equipamentos TI de uso pessoal, leves e portáteis. Portabilidade na vida, o que seria? Carregá-la ao lado tal um celular, que quando se descarrega basta reenfiar na tomada por duas horas? Ou antes pelo contrário, deixarmo-nos levar pelo Fluxo Incessante da Vida, sintonizados não com as chamadas por responder no aparelhinho e sim com a Gaia ou a Terra-Mãe? Céu-Pai, floresta irmã etc.etc???

Algo me diz que é mais a segunda do que a primeira opção. Neste caso, trata-se de aprendizagem a ser ensaiada por nosotros neste início de terceiro milênio, caso queiramos que próximas gerações possam aperfeiçoá-la. Aperfeiçoar a Si Mesmo com respeito ao Outro, com respeito à Vida, com respeito ao Deus que habita cada um de nós que desejamos Paz, Paz, Paz. Namasté independente da Condoleeza, do Bush, do neonazismo ascendente, do Ratzinger usw. Justamente: Paz em nome do nosso vizinho que passa fome, ou que é assassinado aos 17 anos na favela em troca de um punhado de reais, ou daqueles que morrem sofrendo por falta de pronto atendimento. E Paz em nome daqueles seres distantes de nós que morrem em guerras estúpidas. Make War, not Love. Esses caras tão mesmo dodjos... Bem que o Mattew Shirts escreveu, uns cinco anos atrás no Estadão: se os Estados Unidos fossem pra terapia, pagavam a conta numa boa, mas não teriam alta jamais. O Brasil teria alta rapidinho, o problema seria pagar a conta.

Cada um com seu cada qual problema, né mermo?

Anyway. Ficaqui um desejo em forma de oração: Que a Paz reine no meio de nosotros - um dia. E que nesse dia, hajam Homo sapiens sapiensdemens-ludensfaber vivos para seguir em tamanhaventura.


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15.4.05


Em Parintins, nadinha de parintintins...

Licença Chico Buarque, a quem prosodeio pra inserir mais um capítulo da série "Na ilha do boi de pano", reportagensaio de minha tese...

Por todos os séculos e séculos Parintins recitou uma profusão de histórias. Onde os documentos alcançam, o próprio nome da cidade resulta de uma “homenagem aos parintintins, índios mais antigos que habitavam a região”, segundo registro de 30 de outubro de 1880. Antes se chamava Vila Bela de Imperatriz e Vila Nova da Rainha.

A homenagem de Parintins aos parintintins pode ser considerada deferência ao visitante, a mesma que se reserva aos turistas de hoje. Pois a ilha foi habitada por mundurucus, maués, sapupés... os parintintins apenas estiveram temporariamente na Serra de Parintins (BRAGA, 2002:309). Será que nessas rápidas passagens eles deixaram traços para a dança do bumbá? Curt Nimuendaju contou que a dança dos parintintins consistia em oito passos rápidos para um lado, meia-volta, oito passos em sentido contrário, meia-volta... batendo sempre o pé direito com força. Essa dança era acompanhada por estrofes improvisadas, tal o bailado corrido de dois pra lá dois pra cá se soma aos versos do amo do boi.

O nome da segunda maior ilha do rio Amazonas, Tupinambarana (na língua geral, "falso tupinambá"), faz menção a uma etnia indígena já extinta, que migrou de Pernambuco espalhando-se pelo rio Madeira. Seu destino foi a morte ou o "caldeamento", a transformação de índio em caboclo ribeirinho, afinal brasileiro.

Por que a sede da ilha Tupinambarana, Vila Bela de Imperatriz ou Nova da Rainha, elegeu se batizar Parintins? Não foi deferência com o visitante, e sim respeito ao guerreiro vencedor.

“Quanto à substituição dos tupinambaranas pelos parintintins no imaginário parintinense, é compreensível que a identificação fosse com os vencedores e não com os vencidos, posto que os tupinambaranas em fins do século XVII se encontravam miscigenados com a população local” (BRAGA, 2002:313).

E o lindo Chico de todas as brasileiras admirado por todos os brasileiros e estrangeiros - residentes ou visitantes - nacionalizou um imaginário local no verso de Bye Bye Brasil...


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7.4.05


O papa é pop-neo-pós...

... E, segundo uma miríade de ecologistas consternados, o fim está próximo. Coadunemos as afirmações dos apocalípticos desintegrados com o testamento espiritual, finalmente traduzido do polonês para o italiano - provavelmente pelo "herdeiro espiritual", o secretário particular de Sua Santidade mortinha da silva, um senhor de origem polaca como o próprio. Leiamos em bom português as palavras do papa pop que começou como alpinista espiritual e morreu gente como a gente, como o Cristo Jesus morreu na cruz para nos salvar.

"Vigiai, pois não sabeis o dia em que o Senhor retornará". (Frase de abertura do documento, tiradas do Evangelho Segundo São Mateus) -"A queda do comunismo aconteceu por causa de seus próprios problemas". - "Graças à Providência Divina, a Guerra Fria terminou sem um violento conflito nuclear." - "O Senhor prolongou a minha vida e, em um certo sentido, deu-me uma nova." (Escreveu em 1981, referindo-se à forma milagrosa que Deus o salvou da morte", quando o turco Mehmet Ali Agca atirou contra ele na praça São Pedro)

In nomine Patris, et Filii et Spiritu Sanctu, Amém.
Lá do Alto do Poleiro das Almas sua santidade Villa Lobos rege em quaternário o trenzinho caipira ou as Bachianas Brasileiras, enquanto o Aerolulalelé voa com uma mãe de santo (afinal ela embarcou no Recife???), um rabino, um xeque islâmico, um evangélico... mais o Príncipe Presidente FHC e Exmos. Srs. José Sarney, Severino presidente da Câmara - "daqui pra frente vou em tudo quanto é enterro de papa..." (rererererere, risos à larga, à solta, viu caros amigos portugueses?)

Nosso caro analista político Alexandre Garcia avaliou os erros político-ecumênicos de Lulalelé.
Mas o cara veio da lama ao caos, é um sindicalista como foi um certo presidente da Polônia.

Diante de todos esses índices, ícones, símbolos, podemos dizer, dentro de um certo referencial, que A HISTÓRIA ACABOU. Fukuyama finalmente pode dormir em paz e Umberto Eco pode reescrever seu magnus opus com o novo título: Apocalípticos Desintegrados, versão brasileira a&C São Paulo.

Pã-parararã-parararararã... Casseta e Planeta Urgente está repleta de material para rir à solta na próxima terça. E é piada de brasileiro,viu gente, pois os portugueses são muito sábios!!!!


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28.3.05


Dos tempos no Tempo

Escrevo algumas linhas sobre a tese O tempo arqueológico, de Marcos Pereira Magalhães. Saiu publicada em livro pelo Museu Paraense Emílio Goeldi em 1993.
O núcleo central da tese se resume no que o autor chama Cultura Neotropical. Ela consiste na afirmação, baseada nas pesquisas de Niéde Guidon e outros, de que havia habitantes na Amazônia durante a virada do Pleistoceno ("era das glaciações" e domínio do fogo) para o Holoceno. Esses nossos ancestrais souberam viver em distintos ecossistemas - savanas e florestas - e até formar ilhas florestais deliberadamente dentro dos campos de mato rasteiro. Nessa época, entre 6500 e 4000 anos atrás, as florestas úmidas distribuídas em torno do Equador se expandiram graças à estabilização do clima no planeta.

Passaram-se os milênios e o que fazemos com a Cultura Neotropical? Jogamos no lixo cada vez que pisamos no acelerador e liberamos monóxido de carbono, cada vez que consumimos só pelo prazer de ter, cada vez que esquecemos a íntima ligação entre Natureza - a Floresta Neotropical - e Cultura. Cultura de um povo que Darcy Ribeiro já qualificou de "povo novo" se referindo ao brasileiro mestiçado de branco- índio-negro. Expandindo o foco antropológico de quinhentos anos atrás para cinco mil anos atrás, ou trintecinco mil anos atrás como sustenta a grande senhora Guidon, os protobrasileiros são um povo muito, mas muito antigo.

Hoje à tarde, no curso Narrativas da Contemporaneidade, se falava de migrações. Pois há 30 mil anos ou mais, existem provas disto, o Homo sapiens girava este planeta a pé e de canoa, com alguns instrumentos de paus e pedras nas mãos robustas e calejadas. Muita ação, muita intuição, e por que não dizer? muita racionalidade também.
Milênios atrás, e mesmo um século atrás, dar a volta ao mundo era coisa para grandes aventureiros. Hoje atravessamos o mundo em duas dúzias de horas, ensardinhados numa classe econômica ou aboletados na executiva de um MD-11, pterodátilo de aço com seus circuitos eletrônicos e mecanismos de alta precisão. E qual foi o resultado de tanto progresso, de tanta tecnologia avançada? Bilhões com fome, com sede, sem casa, sem direitos humanos, lutando para sobreviver. Outros milhões que sobrevivem porque têm pelo menos o básico, batalham para viver com dignidade num planeta onde "liberdade" individual seduz mais do que Fraternidade Universal.

Avançamos? Recuamos? Não vou arriscar respostas, que a sabedoria do Tempo o diga. Mas a história da humanidade, como os planetas deste sistema solar, anda em espiral e não em linha reta. Neste terceiro milênio da chamada Era Cristã; quarto, quinto, sexto ou sétimo milênio pós-Holoceno, em que avançamos? No que regredimos?


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22.3.05


Hoje é o dia mundial da água.

Em Brasília se discute a gestão dos recursos hídricos no subsolo, talvez a polêmica transposição do Velho Chico, batem-se palmas para esta que constitui toda a vida. Na BBC News as chamadas vão para uma epidemia esquisita em Angola e um "novo estudo" dizendo que o chocolate escuro faz bem para doenças como a pressão alta. Muito oportuno divulgar essa pesquisa financiada sabe-se lá por que lobby às vésperas da Páscoa. Ninguém na BBC fala da água, talvez só os discursos de Brasília - porque quem tem sede se cala pra economizar saliva.
Aprendemos na escola que a Terra é o Planeta Água, que 3/4 do nosso organismo é água. Mais recentemente se ensina que ela fica escassa e rara e será motivo das próximas guerras. Péssimo pensar o Brasil como o Iraque do futuro, hem? Em mim, apesar de tudo, habita a esperança. Gostaria de pensar que todos percebessem que a água, como princípio da vida, deve ser acessível a todos e jamais desperdiçada. Não posso me dar ao luxo de enxaguar duas vezes a mesma roupa porque tenho o "privilégio" de ser abastecida com a água de um manancial cada vez mais esgotado, onde pedaços pretos chegam na máquina, tornando a limpeza de lençóis e camisas brancas sempre um catar de resquícios sujos...

Em Parintins, meu pai viu a imensidão aquática na confluência do Andirá com o Paraná do Ramos e suspirou: "como dizem que pode faltar água no Brasil?" Eis a questão: o amazônida vive cercado de rios, paranás, igarapés e lagos e muitas vezes falta a pura de beber. Aprende então a tirar o líquido da raiz da embaúba - estratégia de sobrevivência básica na terra firme. Outras árvores dão águas mais preciosas: isso apenas o mateiro experiente sabe.

Queremos viver além de sobreviver.

Um amigo meu da adolescência, o Marcelo Duílio do Nascimento, dizia: "a gente só dá valor à água quando tem sede". Era uma metáfora pra outras coisas, que agora deve ser levada ao pé da letra. Quando tomar o próximo gole de mineral, agradeça por essa bênção e faça a sua parte. Quem desperdiça pode matar alguém de sede. Pois prometo regular o banho! Abrir o chuveiro mais de 3 minutos, nem pensar!


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19.3.05


Minhas receitas naturebas:
1. arroz no abacaxi.
Atendo a pedido da minha amiga Ju e recorro a um expediente que já elevou deveras a audiência deste blog. Agora é uma versão atual e mais leve do arroz thai servido no abacaxi, cuja receita publiquei nos primórdios deste blog - quase dois anos atrás!
Variação de 19/03: Arroz no abacaxi com pinhões
Tome uma fruta sem coroa e corte no sentido longitudinal, ou seja, "de comprido". Retire a polpa deixando um dedinho de borda. Use os pedaços para fazer um suco. Se vc gosta de doce com salgado, não faça o suco, reserve os pedaços e o suco que se forma naturalmente com a operação para acrescentar ao arroz.
Doure em uma frigideira uma cebola, dois dentinhos de alho. Acrescente 13 pinhões bem picadinhos - ou mais, se vc tiver dedos e paciência, ou aquele instrumento dos paranaenses pra cortar pinhão! (Vale ainda castanha de caju, do pará ou amêndoa). Refogue o arroz integral/cateto, lindo, com aqueles grãozinhos marrom-escuros em meio aos outros, dourados. Cozinhe em bastante água, temperada com um masala - tempero indiano onde as especiarias são transformadas em pó - de canela, gengibre, cravo e pouca pimenta. Um pouquinho de açafrão, pimenta síria e pimenta rosa reforçam ainda mais o sabor. Sal, só o mínimo - recomendo, para os amigos do NaCl, até duas colheres de chá para quatro pessoas. Mais que isso intoxica. Quando o arroz estiver bem macio, acomode nas metades do abacaxi e sirva. Se você quiser o prato como "principal", coloque frango desfiado ou proteína de soja em cubos, se for vegetariano radical. Eu acompanhei com um salmão marinado em limões siciliano e taiti, gengibre, shoyu e maracujá que ficou ótimo, imodéstia à parte. Elogio do querido Jeff: "vai cozinhar bem na China!" Não, no Brasil tá bom mesmo.
Enfim, estou feliz... apesar da separação. Em momentos assim, nada como juntar velhos-novos amigos para uma tarde com falares e sabores tão agradáveis.
Se este post fizer sucesso, publico logo a receita 2: camarões flambados no caju, receita do Manacá que já reproduzi para amigos, com sucesso. Ou o macarrão indiano do Goa, restaurante em Oranienburgerstrasse (Berlin-Mitte), que virou especialidade da casa. Facílimo de fazer. Dêem seus votos!!!

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11.3.05


Heute ist mein Geburtstag, was soll ich denn schreiben?

Comecei bem: Parque do Ibirapuera, 5200 m, encontro casual com a bióloga que dá aula de paisagismo e a jornalista freelancer Gorete sei lá do quê, colaboradora da Joana Baracuhy na A&C. Aprendemos a diferença entre ipê branco, rosa e roxo (roxo à esquerda, rosa à direita ali no T da República do Líbano). Conhecemos a espatódia, ao que parece, a flor preferida de Bóris Casoy (ugh! que vergonha, não da espatódia, desse cara metido a besta!). Uma aluna diferenciou Ficus benjamin de Ficus spp, sei lá que espécie, não importa. Importa é o Ficus indica, o Salix alba e o outro Salix sp que se debruça sobre o lago. Como o nome do gênero bem indica, em Salix encontramos ácido acetil salicílico, excelente para dores de cabeça - no caso do chorão - e para ansiedade ou irritações mil - no caso do salgueiro, Salix alba. Ah, e a mim, vocês que acaso leram o estranho post Mulungu e o mangue preto, sabem que muito interessa aquela Bombacácea de flores pentâmeras rosa pousada defronte a vista do Monumento às Bandeiras do Brecheret, o Ginásio, a Assembléia e o skyline do espigão.
Ah, São Paulo, São Paulo, até quando? Junho se Deus quiser vou bumbar. E aprender, e perguntar, e ouvir, e ler, e balançar na rede, e comer tucunaré e costela de tambaqui. Bodó assado não, dispenso.
Meu melhor presente de aniversário, já sabem, foi aos 30. Nadar com seis botos é imbatível. Et après... mein Leben ist total anders now. Die fetten Jahre sind vorbei, my friends, e não tô nem aí com a Hora do Brasil. Meus rumos são outros and today is my day. Hoy es el dia del martirio de los españoles, hace hoy un año y la BBC dice que los españoles hacen 5 minutos de silencio. Yo hago 50 minutos de piano, 50 de camiñada; pues que eso va a significar en 1 000 anos, si aun hay la Tierra?


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1.3.05


Tempos atrás colei um trecho do Madredeus que fez algum sucesso (pelo menos me rendeu a visita de uma poética blogueira adolescente, a Tha...). Agora vai música inteira, letra divina do Pedro Ayres Magalhães:

Porto calmo de abrigo
De um futuro maior
Porventura está perdido
No presente temor
Não faz muito sentido
Já não esperar o melhor
Vem da névoa saindo
A promessa anterior
Quando avistei ao longe o mar
Ali fiquei
Parada a olhar

Sim, eu canto a vontade
Canto o teu despertar
E abraçando a saudade
Canto o tempo a passar
Quando avistei ao longe o mar
Ali fiquei
Parada a olhar
Quando avistei ao longe o Mar
Sem querer, deixei-me ali ficar.

Acalanto de água, de mágoa desaguada, porto de esperança nascido da névoa feita ela mesma de água. Canção pisciana, vai ver por isso, tanto me agradou. É de esperança melancólica, estranha, mas vai ao encontro da filosofia do asana do Guerreiro citada posts abaixo. Nem lutar, nem fugir, apenas deixar-se ficar. Quem espera sempre alcança...


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26.2.05


Mulungu e o mangue preto

Há tempos falei do Mulungu, fiz até poesia pra ele. Um dia de março de 2003 me ensinou o engenheiro florestal Maximiliano Roncoletta: árvore da família das Bombacáceas, tronco macio, flores pentâmeras, sementes higrófilas e aerodinâmicas. Parente da paineira, que solta suas últimas corolas coroando a chegada do meu aniversário. A paineira da curva da estrada de Tatuí pra Sorocaba, logo após a linha do trem, morreu. Era muito velha já e ninguém plantou outra no lugar. Talvez eu deva fazer isso em nome da lembrança do que fui. O diagnóstico do Max tá correto: na aparência mulungu, Bombacácea. Mas descubro a essência de mim feito mangue doce caixeta mangue branco ciriúba mangue brabo abaneiro mangue da praia Clusia fluminensis mangue seco lamacento vermelho preto. Tá no dicionário: "Rhizophora mangle forma densas matas nos pântanos salobros das costas tropicais e se caracteriza por altas raízes-escora; tem flores amareladas e madeira dura avermelhada, pesada, que serve para dormentes, tacos, lenha etc., sua casca é adstringente tanífera e tintória".
Aí temos coisa em comum entre mulungu Bombacácea e mangue Rizoforácea: a casca amargosa. Bile purificadora na pele vegetal.
No ventre da lama salobra onde ecoa o mangue beat que agora ouço, raízes aéreas trombam o chão pastoso e sugam cloreto de sódio em suas veias xilemas e floemas. Circulam informações da lama ao caos. Excesso de tempestades cerebrais. Sobra sódio, falta potássio e cálcio. Terra podre. Ibirapuera. Madeira podre. Bote um mangue no Ibirapuera e terá problemas sinápticos. Sorte que todas as árvores produzem oxigênio no dia - mas à noite, à noite são más como todos nós e devolvem tudo em gás carbônico. Em São Paulo, bem observou um carteiro nos 450 anos, "terra de gente boa, gente movida a gás carbônico". Aqui mangues improváveis e mulungus esquecidos se dissolvem na sombra das últimas paineiras floridas, à guarda do lago de Burle Marx olhando o Monumento às Bandeiras. Quem é que puxa e quem é que empurra ali naquela escultura de Brecheret? Andei observando cada semblante e parece que tem um no meio se matando, músculos tesos, cabeça pra trás, pescoço esticado e tireóide mirando o céu. Outros, se fazem força, não demonstram.

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Meu amigo doctor juris Leonardo Martins manda a seguinte mensagem direto do inverno berlinense sobre o post que escrevi sobre Die Erziehungsberechtigte e está logo abaixo. Tomei a liberdade de publicar suas observações precisas e muito acuradas:
Muito interessante sua interpretação etimológica e paralelo entre educar e erziehen. Allerdings: Berechtigte significa nada mais que legitimado, ter o direito subjetivo de e para fazer algo, no caso educar, ou seja, sobretudo os pais. No contexto judicial significa quem responde em geral pelos filhos, antigamente no Brasil ´pátrio poder´. Ou seja, trata-se de um direito/dever de alguém em relação a menores de idade.
Falou e disse o professor de Direito Constitucional, que vive sabiamente num penden Brasil-Alemanha (agora nem tanto sabiamente porque o moço pegou menos dez em Berlim!). Detalhe: ele tem apenas 33 anos.
Quando eu crescer, já falei pra ele, quero ser assim. E o moço fica sem graça!?


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25.2.05


Some people never change

qm não viu Edukators - Os Educadores, ou melhor no original Die Erziehungsberechtigte, queira ver um dia. Para nós que ingressamos na carreira acadêmica é um bálsamo e uma ferida ao mesmo tempo. Em tempo: Erziehungsberechtigte acrescenta ao latino ed-ducare, conduzir para fora, o plus "Berechtigte" que eu traduzo livremente por endireitar, aprumar, ajustar ou focar. O radical Recht vcs sabem significa direita, justo, certo, Direito (Germânico evidentemente). Por isso deve ser que o S-Bahn que vai pra Berlim Oriental tem quase todas as saídas pela esquerda. "Austieg links, austieg links" martela a voz metálica de la mesma manera que tenemos "Mind the gap" in London o "Marchez à gauche, tenez votre droite" nas plaquettes das escadas rolantes de Paris. Todos, avisos muito sabidos.
Pra vcs, namasté, paz, e o insight do asana Guerreiro: not even flight nor fight, stay put. Às vezes, ficar quieto e se disfarçar de outro bicho é a melhor solução. Quando a presa vira as costas a gente dá o bote - e acerta.


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17.2.05


Meu amigo Chico, do virtual Bar do Chico (vejam endereço aí na barra de links), vem com uma intrigante questão sobre o ano lunar dos chineses. Não só eles, vários povos - judeus, muçulmanos e outros - medem a passagem do tempo pelas luas, como a gestação e a menstruação das fêmeas todas. Isso eu já deixei lá no comment do Bar do Chico.
O q não disse foi q recomendo a ótima reportagem do Renato Modernell na revista Terra (acho que tem no site) sobre o tempo. Lá ele conta como se formaram os calendários solar, lunar e lunissolar - povos nômades, agrícolas e "mistos" ou civilizações "avançadas" como chamam os conservadores que não compreendem que cultura não se compara.
O ano bissexto, a gente aprendeu ou devia ter aprendido na aula de história, foi invenção de um papa (Constantino?) no fim da Idade Antiga. Invenção pra "consertar" ou ficticiamente normatizar o movimento da órbita terrestre em torno do Sol. E depois vieram Galileu e Copérnico pra alterar nossa visão de mundo. Deo gratias!
E agora uns físicos malucos falam que o tempo vai se acelerar e comprimir tanto que em 2014 - ou seja, daqui a pouco! - vamos virar sei lá o quê, pó de estrela ou sabe Deus que ser. Que todos os deuses me livrem! Quero viver muito e bem.
Quanto à combinação mencionada pelo Chico e que tanto o estimulou - doze anos, cinco elementos, água, terra, fogo, ar, madeira) - Chico, é muito simples: o ciclo de 60 anos corresponde a expectativa média de vida dos chineses na época em que esse calendário foi criado. Isso que é sabedoria oriental. Tá na hora da gente aprender sim, com
China Índia e Japão, não tanto com a Coréia, como quer Veja: e ainda bota na capa a pintura da revolução francesa! é o samba do crioulo disléxico. cd meu amigo jg? foi compor samba pra Portela e sair de pierrô com sua colombina em vez de cuidar da edição da revista? ah, não, isso é coisa da "arte".... que viaja bem na maionese dos signos, sem nenhuma responsabilidade ética, técnica e social. Só vale a estética e a venda do produto. chega que essa tpm tá braba. se não, vou xingar deus e o mundo e isso não dá certo. vamos ficar todos em harmonia. love, peace&harmony, sabiamente pediu Morrissey já nos velhos e não perdidos, muito menos trash 80´s.


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4.2.05


Guten morgen an alle. Good morning to everybody.
Ich wunsche uns alle, I wish this wonderful thing to everyone in the world:
FRIEDE - PEACE - PACE - PAZ - SALEM - SHALOM - SALAM.
É só isso o que pede o mundo enquanto a música da Terra gira 24 horas em seu eixo, 365 dias em torno do Sol, sempre para o alto e avante em direção à estrela Vega. This is the glory of the age of Aquarius.
Vamos nos preparar para o fim dos tempos, diz a minha ex-diarista, que se foi de volta para a Bahia, meio a contragosto, deixando uma filha adulta na indústria têxtil de Sorocaba, levando o filho mais novo, tudo porque o marido não se adaptou na Grande São Paulo. Acontece. Ana Taís, que cito no post abaixo, é gauchíssima e estranhou o calor dos ares pernambucanos - apesar de ter se embevecido com o nosso calor interno, esse realmente cativante, com toda a mais orgulhosa imodéstia que eu posso ter (e Deus me perdoe pelo pecadilho).
Migrações, migrações, somos aves migratórias, ou baleias migratórias, sob o disfarce de Homo sapiens, que como bem observa Edgar Morin, somos sapiens, demens, ludens, faber. Os tais três cérebros... vejam posts abaixo...
Só há uma solução para o planeta sobreviver e nós nele. Abaixar a entropia, harmonizar o sistema. Já tem muita gente esperta fazendo isso, por exemplo a Malu "Pazza" Cardinale Baptista, que de pazza não tem nada (é o nome da empresa dela). Conheci a moça no Fórum de Professores de Jornalismo e, na disciplina Teoria da Comunicação, ela desenvolve um projeto de baixa entropia e alta fertilidade intelectual lá pras latitudes 30oS. Chama-se Usina de Idéias e apresenta uma abordagem sistêmica e inclusivista das bibliografias relevantes para os alunos (muitos autores da Usina foram apresentados à Malu pelos próprios pupilos).
Essa geração de trinta anos tá aprontando cada uma! No Rio Grande do Sul e do Norte, na Bahia e na pequena capitania o meu Pernambuco, nas Minas Gerais e claro que em São Paulo também. No resto do Brasil e no mundo pulsam pontos luminosos de sabedoria e possibilidades, aberturas para o novo. É esperar pra ver: aposto numa mudança radical de consciência, e logo. Fiquei ainda mais esperançosa depois da agradabilíssima conversa (foi o diálogo possível, não uma "entrevista") com Helio Mattar. Por isso fiz questão do tête-à-tête, já havia entrevistado o presidente do Akatu pelo telefone e o que ouvi foi um discurso pronto. Não houve diálogo possível naquela ocasião. Hoje, houve um encontro de seres trocando idéias. Saí com muitas lições de lá, e acho que ele gostou de abrir seus minutos preciosos de agenda para uma "jornalista" que conversa em vez de "entrevistar".


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3.2.05


A minha colega Ana Taís Martins Portanova Barros, de Porto Alegre, pergunta o que o blog tem a ver com minha tese.
Puxa vida, difícil resumir em poucas palavras. O blog na verdade é anterior à tese, então ele não tem muito a ver com ela, é mais uma ferramenta de experimentação de linguagem e interações (estas, nulas porque a audiência sumiu depois de um longo silêncio meu. Mas qdo estava em campo recebia muitas visitas, de amigos que queriam saber minhas notícias).
Propus, no projeto de pesquisa para o CNPq, o blog como ferramenta de experimentação e "caderno de campo virtual", mas precisarei assumir que a estratégia de trabalho falhou. Os motivos não apontarei agora porque já estou escrevendo demais.
Agora, um breve sumário da minha tese:

Enquanto os manuais de redação pregam que a objetividade não existe mas que o jornalista deve buscar uma objetividade possível, não há saída epistemológica e pragmática para o dilema de um conhecimento em crise. Os textos murcham e os projetos de autoria falham em detrimento de uma "voz" sem dono, que é a "voz" baça e surda do veículo de comunicação de massa. Fora do mainstream, há autores com suas afinadas e vistosas narrativas de resistência (vide Fernando Resende). Esta tese propõe a transubjetividade como valor a ser seguido pelos jornalistas do novo milênio. A transubjetividade, ou atravessagem dos sujeitos, como venho preferindo chamar, é o caminho a ser buscado pelos narradores do humano ser.
Mas, como fazer uma narrativa transubjetiva? A reportagensaio Na ilha do boi de pano, sobre o festival folclórico de Parintins, vai experimentar as possibilidades do mergulho no si-mesmo (a subjetividade da autora, nordestina-matuta-caipira, neta de um pernambucano que migrou da terra natal para o Amazonas), no outro, sujeito pesquisado (os artistas dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido, personagens anônimos do cotidiano, políticos etc.) E aqui então falamos do "objeto", do recorte, e também da relação intersubjetiva, da ação comunicativa entre o eu e o outro. Temos subjetividade, objetividade (tudo em termos relativos, de aproximações) e intersubjetividade. Normatividade, a quarta pretensão de validez segundo Habermas, fica por conta do método de pesquisa empírica, inspirado nas técnicas de reportagensaio (Raul Osorio Vargas), na arte de tecer o presente (Cremilda Medina), na história oral (Ecléa Bosi;José Carlos Sebe), no relato etnológico. A conjunção dessas quatro vertentes - objetividade, subjetividade, intersubjetividade, normatividade - conflui no que chamo TRANSUBJETIVIDADE, ou atravessagem dos sujeitos.
Ficou muito confuso demais?
Agora estou em SP, ouvindo a ema gemer no tronco do juremá, CD do pife muderno que trouxe lá do meu saudoso Recife. Nem quero lembrar que amanhã começa carnaval, pois esses dias serão de muuuuito trabalho!


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2.2.05


Já que o carnaval tá chegando e eu vou trabalhar a ponto de Max Weber sorrir na tumba, haja ética protestante do trabalho! (que espírito de porco tem esse capitalismo, completo eu)... vou colar aqui mais um trecho do relato Na ilha do boi de pano. Quem não tem carnaval vai de bumbá, que é outra coisa completamente diferente. Por favor não confundam os folguedos dionisíacos pré-Quaresma com a quadra junina. São tão díspares quanto o verão e o inverno. Só que eu disse que o festival de Parintins parece e não parece com o carnaval do Rio e o editor da Viagem & Turismo ficou na metáfora batida, que tanto irrita os parintinenses, de chamar o bumbá de carnaval amazônico. Bom, leiam vcs aí, espero que tenham paciência para chegar ao final, gostem e deixem comments (é desolador escrever e ver 0 comments durante dias a fio).


Ser um boi de promessa legitima sua origem. Assim Lindolfo Monteverde, na década de 10, garantiu botar seu boi. E no lado contrário, do Caprichoso, também existe uma história de promessa, contada por Odinéia Andrade, do departamento cultural do touro negro. Os irmãos Roque da Silva Cid e Tomas Cid, cearenses vindos do Crato, teriam feito uma promessa a São João para que tivessem sucesso ao migrar para Parintins, em 1913. Eles então se juntariam ao manauara Emídio Rodrigues Vieira, primeiro dono do Boi Caprichoso.


“Deve-se observar que as versões sobre o surgimento dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso fazem menção a uma promessa feita a São João por um dono ou amo de boi, com a finalidade de receber uma graça, no caso, em função de doença – de que foi acometido Lindolfo Monteverde – ou para alcançar êxito na nova terra, como acontecera com os irmãos Cid. Nessas situações, a obrigação do promitente seria de ‘botar boi’ na rua, inclusive contando, após a sua morte, com o ‘prosseguimento do boi’ que deveria ser assumido pelos filhos.” (BRAGA, 2002: 354)

O boi de promessa toma posse do espaço na arena. Como observa Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti, no já citado artigo “Os sentidos no espetáculo” (ver alguns posts abaixo), uma diferença marcante entre o boi-bumbá e o carnaval carioca é que no Bumbódromo circular as tribos e alegorias preenchem toda a área, e a evolução “acontece”; enquanto no Sambódromo linear as alas “passam” rapidamente como o tempo. Na arena, observo uma formação que refaz o mundo naquele círculo, ocupando todos os pontos cardeais: a orquestra percussiva na área norte do círculo (próximo à tribuna de imprensa e jurados), tribos enfileiradas nos quadrantes leste e oeste, e o palco da alegoria principal bem ao centro – axis mundi. O sul é a rota de fuga por onde entram e saem os brincantes. Várias vezes durante as apresentações, os momentos gloriosos se representam numa ligação céu-terra: na noite de 29 de junho, o beija-flor carrega a cunhã-poranga enquanto o apresentador comenta, vejam só senhores jurados, como a galera do Garantido aplaude a nossa cunhã-poranga! (enquanto a arquibancada vermelha e branca se mantinha, conforme as regras, impassível no silêncio, apesar de alguns discretos dedos médios apontados na direção de Arlindo Jr.). Também do céu para o chão, boi Caprichoso no meu chão e no céu, uma garça traz o pajé Valdir Santana, do Caprichoso, enquanto a galera acende velas verdes e amarelas na arquibancada toda escura, num céu de estrelas do Brasil. No ritual antropofágico, o Ibirapema, tudo fica muito claro: o dia exclui a noite e esta o dia abate. Só um pode vencer. Mas aí a noite vem e o dia outra vez; um ano passa com a derrota e o próximo aponta a esperança de vitória.


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30.1.05


Über Kaffee und Zigarretten

Das ist ein Film dass ich highly recommend. O Jim Jarmusch, quem diria, nasceu no Ohio, é um caipira-pira-pora dos EUA, apesar de que Thomas garante que o Kerry ganhou no Ohio. É, ganhou no Ohio, na Califórnia, no New Jersey e mais onde? Nova Inglaterra? Tá, o United States of America tem cinqüenta estados e o Kerry ganhou em cinco. Não, foi mais do que cinco, resmunga Thomas irritado com o meu viel plappern enquanto aguardamos largados no sofá mole do Top Cine pela sessão. Entro na resmunguice, até quando vamos ser obrigados a agüentar o United States of America como superpotência mundial? I can´t bear it anymore. Afinal eles assinam e cumprem Kyoto ou qualé mano? Ele me desanima, por mais muito tempo [os Estados Unidos da América do Norte serão superpotência mundial]. Contemporizo, ora bolas, o Império Romano durou seis séculos, o Império Britânico durou três. Não, durou bem mais que três, replica Thomas. Ah, é verdade, se considerarmos que o United States of America é colônia inglesa, o Império Britânico dura os mesmos seis séculos do Império Romano. Tá na hora de acabar. Aí ele fica echt irritiert com minhas considerações e agora vem checar was schreibe ich. Respeita, cara, blog é diário na internet, eu escrevia no papel quando era criança e agora boto aí no computador, dá tudo na mesma (mais ou menos, aqui vem um ou outro gato pingado ler essas verborraguéias, como diz o próprio, de quando em vez).
Puxa vida, mas era pra eu falar do Jim Jarmusch? Ah não vou falar não. Vão no kino ver Sobre Café e Cigarros que é bem divertido. Aquele tema de short stories na aldeia global como ele sabe fazer direitinho.


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27.1.05


Tudo é relativo

Seu dia foi ótimo? Parabéns pra você. Seu dia foi péssimo? Pense que para uma pedra, ótimo ou péssimo, seu dia foi insignificante. Na dança dos continentes, um dia representa 1,6 mm de afastamento entre África e América do Sul. Um quase nada, um menos que um cuspe, um menos que um piscar de olhos. Por isso, nunca se abale com os acontecimentos do seu dia, porque seu dia, para uma pedra, é o nada.


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26.1.05


Somos todos botos (e sucuris)

O maior órgão sexual dos humanos é o cérebro, formado embriologicamente de três cérebros, 1. o reptiliano (que nos injeta o espírito de fight or flight, atacar ou fugir), 2. o límbico, que compartilhamos com todos os mamíferos e finalmente 3. o neocórtex, exclusividade do sapiens. Graças a este institucionaram-se códigos de conduta nas relações humanas, inclusive na cama. Mas não é por sermos sapiens que deixamos de lado nossos instintos impulsivos ou nossos desejos límbicos. Na trilha de Edgar Morin, podemos afirmar que o Homo é sapiens e demens, ludens e faber.

Os cetáceos, por exemplo, têm a sexualidade bastante parecida com a nossa, até os genitais são semelhantes, foi isso que inspirou a lenda do boto e infelizmente leva à morte e mutilação desses animais, cujos pênis e vaginas são vendidos como afrodisíacos no Mercado Ver o Peso de Belém. Faz pena ver. Alegria é observá-los emergir e submergir nos banzeiros, numa dança poética por rios e paranás, lagos e furos. Quando completei trinta anos e fazia minha primeira visita a trabalho à Amazônia, ganhei um banho no Paraná do Ramos, à beira do qual vive o poeta Thiago de Mello, horas rio abaixo. A corrente era muito forte, por isso precisava ficar perto do barco e do regatão (distribuidor de peixes e víveres) onde estava ancorado. Pois logo apareceram seis botos, três rosa e três tucuxi (cinza) para me fazer companhia, o melhor presente de aniversário da minha vida. Eles eram quase animais de estimação, devido à comida farta - restos de peixes e outras sobras do regatão. Segundo os engenheiros florestais que depois embarcaram na viagem, os botos têm sensores de ferormônios, similares entre nossas espécies. A comunicação intersubjetiva, já sabemos, não é exclusividade humana. Outros mamíferos e até mesmo animais "inferiores" são capazes de se comunicar - não por uma linguagem abstrata de signos como a nossa; mesmo assim mensagens são enviadas e recebidas entre os menores organismos vivos. A vida é sempre inteligente.

De volta ao início dos tempos, ao frescor do sapiens-ludens-demens-faber, o sexo é ao mesmo tempo natural e sublime, algo que nos aproxima dos seres que nos antecederam na história do planeta e daquilo que ainda é porvir, o imponderável. Foi uma invenção cartesiana a separação do ego cogitans da res extensa, foi uma invenção iluminista a dissociação do Naturwissenschaft do Geistwissenschaft - a fraternidade do saber espiritual e natural, das ditas ciências duras e das ciências ditas humanas. Meu trabalho de sentir, pensar, agir, sempre em consonância com os três cérebros que habitam meu corpo, busca associação e evita dissociação. Quem fala agora é a pesquisadora mas acima de tudo a mulher. Uma mulher que sonha e luta a seu modo por uma nova consciência na Terra, onde as pequenas dores e sofrimentos moralistas sejam objeto de estudo dos historiadores da psicologia social, ou melhor dos arqueólogos, de tão entranhadas no passado. Sei que se trata de uma utopia mas não de uma atopia. Esse lugar existe, existe dentro de mim, de você e de todos nós. Cabe à humanidade dar esse salto para o horizonte infinito.



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19.1.05


No auto do bumba-meu-boi nordestino, boi-de-mamão catarinense, boi-bumbá amazônico, um rico dono de fazenda presenteia sua filha, a sinhazinha, com um boi precioso. Ela o alimenta com sal e capim, ele é seu brinquedo. Pai Francisco, peão da fazenda, ouve de sua mulher grávida, Mãe Catirina, que deseja muito comer a língua do boi, que é então morto, para desespero da sinhazinha. Nas tentativas de ressuscitar o animal, o padre fracassa, então se chama o pajé, que consegue o feito. Eis o núcleo universal da história, agregado, em Parintins, às lendas, figuras amazônicas, rituais, que configuram unidades narrativas encenadas coletivamente. Os chamados itens individuais, também avaliados pelo júri, protagonizam pontos altos da apresentação: cunhã-poranga (mulher bonita em tupi), rainha do folclore, porta-estandarte, tuxauas (chefes políticos indígenas, encenados em fantasias alegóricas, os capacetes, que chegam a pesar 20 quilos). Sinhazinha da fazenda e pajé, diretamente migrados do auto do boi, fazem também suas evoluções individuais. Dançam na arena sob a voz do levantador de toadas, envoltas pelas tribos – correspondentes às alas do carnaval carioca. Se no Rio há puxador de samba como em Parintins existe o levantador de toadas, falta porém a prosa do apresentador e o próprio espaço circular da arena de 50 m de diâmetro.[1] E falta a poesia do amo do boi, improvisada em versos setessílabos como na tradição nordestina:

Meu coração é vermelho
Meu sangue da mesma cor
Um simboliza a vida
Outro garante o amor

Boi Garantido é paixão
Que conheci em criança
Atrás do boi eu andava
Eu guardo eterna lembrança
Foi o meu boi Garantido
Que fez feliz minha infância
Eu nunca vou esquecer
Daquela noite estrelada
Quando te vi Garantido
Brilhando na madrugada

Vou acender a fogueira
Que o tempo quase esqueceu
Pra Santo Antônio, São João
e pra São Judas Tadeu
Foi de promessa cumprida
Que o Garantido nasceu

(...)

Lindolfo o patriarca
Dos Monteverdes da ilha
Lindolfo estando doente
A São João prometeu
Um boi-bumbá garantido
E a promessa valeu
Foi de promessa cumprida

Que o Garantido nasceu

[1] Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti desenvolve o paralelo entre o carnaval do Rio e o boi-bumbá de Parintins no artigo “Os sentidos no espetáculo”, publicado no site da Revista de Antropologia.


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21.12.04


II. No porto, dezenas de barcos enfeitados com bandeirinhas coalham a margem do rio. Assim iria exclamar, dias mais tarde, o enfermeiro baiano Evandro Pacheco, morador de Parintins desde 2000: Por sorte temos esse riozão, esse rio-mar que nos fornece muito peixe. O bodó? É, o pessoal daqui gosta muito... eu acho esquisito demais, parece um exoesqueleto! Vindo do fundo lodoso, o bodó vai à grelha e impregna o ar, saturado de ondas sonoras: as toadas tocam feito mantras durante todo o festival. Juma, Juma! é o refrão de uma delas.

Gigante Juma
(Demetrios Haidos/Geandro Pantoja)


Um vento soturno soprou
Na serra de Parintins
O canto dos pássaros silenciou

As mariposas não revoaram
As vozes do medo ecoam na mata
É o pesadelo do guerreiro parintintim
Surgindo vertiginosamente em busca de almas
Juma!
O gigante prepara a emboscada
Aos guerreiros perdidos na mata
Sua borduna desfere um golpe mortal
(...)

A Mãe Natureza para resgatá-lo
Invoca Baíra, herói ancestral
Destinando ao gigante guerreiro uma nova missão...
Proteger a Amazônia!
Juma, Juma, gigante criatura das cavernas
Juma, Juma! Seu passo estremece a floresta

- Fogo! Fogo!!! – grita Eduardo Braga, governador do Amazonas.
Por um instante, o fotógrafo Eduardo Svezia pensa que o fogo é ali mesmo, na tribuna de honra do Bumbódromo Amazonino Mendes, inaugurado em 1988 com capacidade para 35 mil pessoas. O governador espera a liberação de recursos federais para a ampliação do Bumbódromo, duplicando sua capacidade até o 40o Festival Folclórico, em junho de 2005. Não. Nesse momento não há espaço para pensar em obras, todas as atenções do corpo e da mente se voltam ao perigo das chamas ardendo.
Do outro lado da arena, Israel Paulaim, apresentador do Garantido, convoca os espectadores para atentar à encenação:
- Juma está furioso! Colocou fogo na floresta!
Ao lado da alegoria de Juma, o gigante da floresta, escultura de 12 metros, uma cobra amarela e vermelha pega fogo. No início da lenda de Juma que se representa, ele é mau, ameaça capturar as almas dos índios durante as caçadas. Só ao final da história, a força de Baíra, deus da natureza, faz Juma se tornar protetor.
Seria então o fogaréu um efeito especial dramático para simbolizar toda a brabeza do Juma? Logo vêm os bombeiros apagar as labaredas. No intervalo após a apresentação, ficou claro, era mesmo um acidente com a cobra, feita de etafon, um material inflamável que não resistiu à proximidade com a forte iluminação – palavras de Bosco Baré, membro da comissão de arte.

(A primeira noite de apresentação do 39o Festival Folclórico de Parintins foi mesmo conturbada. Desde a tarde do 28 de junho de 2004 a apreensão tomava conta de representantes do Caprichoso e do Garantido, pois faltava confirmar os jurados para a primeira noite de contenda entre Caprichoso e Garantido. O espetáculo começou com duas horas de atraso, quando finalmente se reuniu o júri improvisado com personalidades como o fotógrafo Pedro Martinelli e o ator Marcos Frota. Ele vestiu a camisa do Garantido no último dia do festival, o que levou à anulação das notas da primeira noite.)

Fogo controlado, Israel Paulaim continua a narração como se nada tivesse acontecido, ou melhor, como se tudo houvesse passado conforme o previsto. Ele, no papel de apresentador, é o primeiro a entrar na arena. Relata a apresentação das alegorias, das tribos, dos personagens e cria nexos entre momentos fortes, obrigatórios e que valem pontos do júri: ritual indígena – a apoteose da festa – lenda e figura folclórica regional. Esses três momentos carregam força cênica e aportam o tom amazônico à festa da morte e ressurreição do boi, celebrada do Nordeste a Santa Catarina. Deixemos Tony Medeiros, o amo do boi, desfiar seus versos de improviso no 29 de junho de 2004:

Fogos pro boi Garantido
Que acabou de chegar
Fogos pra minha galera
Que outra mais linda não há
Fogos pra minha Amazônia
Onde meu boi vai brincar
Preste atenção nesse fato
Que agora vou recordar
É uma história antiga
Do auto do boi bumbá



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17.12.04


Na ilha do boi de pano

I.
A paisagem desliza com vagar no horizonte líquido: dezoito horas rio abaixo, de Manaus a Parintins (serão vinte e oito na volta). Fim de tarde no rio Negro, o Príncipe do Amazonas deixa o porto de Manaus e pára poucos minutos adiante, para a fiscalização da capitania. Os cuidados são rígidos nessa época de alto fluxo ao Festival Folclórico de Parintins. Todos os passageiros descem do barco, se houver um além dos 250 permitidos, meia-volta para a cidade. Isso não acontece, mas a parada impede a vista de um pôr-do-sol no encontro das águas. O breu do céu envolve o barrento Amazonas e não mais se vê sua cor. Só os sons das toadas do Caprichoso a tocar pela noite no bar, instalado no terceiro convés do barco. (Mais tarde viria saber que o dono do Príncipe do Amazonas torce pelo boi azul e branco, daí a seleção musical).Vermelhas, amarelas, verdes, azuis, brancas, lisas ou estampadas, as duas centenas de redes se enfileiram pelos conveses. O dia amanhece e o horizonte aquático se alarga enquanto o sol sobe pelo céu. “O ar é puro, o horizonte, relativamente vasto para estas regiões, é claro e sereno, o calor é quase diariamente atenuado por fresca viração, que sopra rio acima, e a praga dos mosquitos não flagela demais”, escreveram Spix e Martius em 1819 um relato que não perdeu a validade 185 anos depois. Vem chegando Parintins, reconhecível ao longe pela bandeira vermelha na Cidade Garantido, de 3 mil metros quadrados – o curral de 2 mil metros quadrados do Caprichoso fica distante do rio e não se vê do barco – e, um pouco abaixo no curso do Amazonas, aponta a torre da catedral de Nossa Senhora do Carmo. Esta, alinhada ao Bumbódromo, forma o território neutro da cidade, que se divide em duas bandas: a leste o território azul do Caprichoso, touro negro com estrela na testa; a oeste o lado vermelho do Garantido, boi branco de coração na testa. Até as placas de trânsito respeitam as cores dos bumbás.

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Um gamer australiano, conhecido pelo nick Deathifier, arrebatou em um leilão uma ilha virtual por 26,5 mil dólares. Está no BBC news online. O negócio foi feito pelo Entropia, um sistema onde se converte dinheiro real por moeda fictícia e com ela compram-se objetos para o universo RPG - role playing games, mania que conheço há uma década (naquele tempo os jogos eram ao vivo, porque ninguém sonhava com a internet de hoje).
Parece que o australiano vai lucrar com o investimento, já colocou terrenos à venda na ilha virtual e irá cobrar de quem quiser "visitá-la" ou caçar tesouros por lá.
Ilhas exercem mesmo uma atração mágica sobre as pessoas. Há um punhado de meses, o escritor cubano Ronaldo Montero me sugeriu escrever uma ficção sobre um paulistano que viaja para uma ilha isolada e se desola. Parece que agora, com essa compra, tenho o gancho perfeito para minha história. Prometo postar algo sobre (não esqueci da promessa de posts sobre Parintins, vão a seguir já-já).


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